O mal-estar da população em situação de rua
O número de pessoas vivendo nas ruas de Manaus aumentou
A intensidade da fumaça em Manaus pede providências imediatas para um segmento que costuma passar à margem na tomada de decisão: a população em situação de rua. Fragilizadas em todos os sentidos, essas pessoas estão convivendo diretamente com toda a toxidade que a condição do ar espalha nesse momento.
Se a política pública para atender a população já enfrentava problemas e descontinuidade na tarefa de proporcionar atenção aos moradores de rua, com a inadequação do clima acentua-se a realidade se agrava. O número de pessoas vivendo nas ruas de Manaus aumentou. Há um ano, organizações que trabalham com essa população apontaram crescimento do contingente de moradores de rua na capital amazonense, quando se compara os dados de 2022 com os de 2021 o índice verificado foi superior a 200%.
Diariamente homens, mulheres, crianças podem ser encontrados nas ruas e praças da cidade. Com a qualidade do ar inapropriada, os grupos sociais em situação de rua necessitam ter, em curto prazo, de iniciativas que possam assegurar a eles água potável e alimentos, esforços visando minimizar os efeitos dessa condição e da fumaça em suas vidas. Muitos deles estão doentes e com o quadro promovido por queimadas têm os problemas agravados.
Em outras cidades do Brasil e do mundo, o calor e o frio intensos mobilizam centenas de pessoas que por meio próprios ou de coletivos oferecem socorro a essas pessoas por meio de roupas e outros acessórios que deem proteção aos seus corpos, alimentos, remédios. Em Manaus, há um movimento para a distribuição de sopas, pães e roupas.
Mas, o dado fogo/fumaça e sua repercussão na vida desses moradores ainda está sendo assimilado. Por se tratar de pessoas em vulnerabilidade, o tempo é crucial e os governos em nível estadual e municipal teriam de que agir mais rápido para que a assistência seja concretizada. Nas duas pontas, idosos e crianças, o olhar precisa ser mais atento, pois, neles a repercussão da qualidade do ar e o tempo de exposição a que estão submetidos a esse ambiente é preocupante.
Há silêncio sobre medidas governamentais locais que estejam hoje voltadas a atender a população em situação de rua incluindo profissionais da área da saúde.