O papel do Brasil no dilema climático
Chuva em vez de neve na Groenlândia, tempestade Henri nos Estados Unidos, fogo acima da média no Pantanal… são apenas alguns exemplos de que algo, de fato, não vai bem no clima mundial. Não resta dúvida de que há mudanças cada vez mais aceleradas em andamento. Não se trata de um problema localizado ou que atinja apenas parte do globo, é uma questão e abrangência universal que precisa ser abordada com seriedade equivalente.
E, neste ponto, surge um questionamento pertinente: seremos capazes de dar uma resposta coordenada, com participação ativa da maioria das nações? A considerar a forma como o mundo está reagindo à pandemia de covid-19, a resposta pode não ser animadora. A crise sanitária que ainda assola o mundo teria contornos menos trágicos caso as nações conseguissem combatê-la com um mínimo de organização mútua. Não é o que se vê. Por incrível que pareça, há países que preferem colocar dúvidas sobre a gravidade da pandemia do que combatê-la efetivamente. O negacionismo impera em muitas nações e encontra eco em parcela significativa da população desinformada. Esse dado é particularmente preocupante, pois se reagimos dessa forma a uma emergência com consequências tão tragicamente imediatas como tem sido a pandemia, como será diante de um problema cujos efeitos tendem a se agravar paulatinamente por décadas? O risco de inação mundial até um ponto de não retorno é enorme.
As grandes potências têm a responsabilidade de orientar a dinâmica mundial. Ao ainda emergente Brasil, recai o fato de deter a maior parcela da Amazônia, tida como elemento fundamental no que diz respeito ao equilíbrio ambiental do mundo. Aqui surge outro dado preocupante: artigo publicado no jornal acadêmico Nature Climate Change aponta que, entre 2010 e 2019, a Floresta Amazônica brasileira liberou mais carbono do que armazenou, o que se deve ao avanço do desmatamento e das queimadas.
O Brasil precisa entender e assumir seu papel na dinâmica ambiental do mundo. Independentemente dos rumos da política nacional, a questão ambiental precisa se tornar uma política de estado. Mais do que nunca, preservar a floresta e o bioma amazônico como um todo é essencial, não apenas para o Brasil, mas todo o planeta.