O preço da energia elétrica
O reajuste da tarifa de energia elétrica domiciliar em 16% começa a vigorar a partir de amanhã, ao mesmo tempo, a população do Amazonas enfrenta com frequência cada vez maior a falta de energia. A proposta de privatização do setor é um dos pontos de interesse do futuro governo Bolsonaro que, de acordo com projeções feitas pelo empresário Paulo Guedes que deve assumir o ministério da Fazendo reconfigurado (deve incorporar o do Planejamento), tem interesse em reduzir a abrangência da ação estatal e ampliar a do mercado.
As empresas de energia elétrica apresentam déficit de desempenho e, no Norte do País, o programa de privatização já está em andamento entre avanços e recuos. A do Amazonas aguarda definição quanto ao seu futuro, já integrou o pacote de seis empresas que seriam levadas à venda, foi posta de fora em função de o Estado não está interligado ao sistema nacional de energia e sob o argumento da falta de garantia de que o futuro dono da empresa garantisse energia a toda a população de todos os municípios.
Há uma confusão no trato dessas empresas, foram leiloadas e, depois do negócio feito, governo e legislativo decidiram suspender o processo de privatização. Falta agora definir como será concretizado o negócio ou se os valores pagos serão devolvidos. Essa típica trapalhada é um dos desenhos de como a questão está sendo tratada pelos membros dos poderes e expõe o nível de desconhecimento da dimensão social que envolve o serviço de energia elétrica no País. O acesso à energia elétrica ainda não é em cem por cento no território brasileiro e os episódios envolvendo apagões e racionamento têm sido frequentemente presentes na vida da população.
A tarifa de energia não tem preço baixo. Ao contrário, as contas chegam às residências com valores cada vez mais elevados. O reajuste mais recente que passa a vigorar em novembro, da ordem de 16%, pode inviabilizar o acesso de muitas famílias atingidas pelo desemprego e que sobrevivem fazendo bicos. Ao governo e aos legisladores cabe a responsabilidade verificar o efeito dessa operação – tarifas elevadas e precariedade no fornecimento de energia – na vida das pessoas e o prejuízo que representa à cidade e a todas as pessoas, submetidas a desgaste de várias ordens.