O preço determina nem carne, nem ovo
A cabeça de parcela dos brasileiros está fervilhando diante da situação a que vem sendo submetida no item alimentos versus preços. A carne bovina alcançou segue em ritmo de elevação do preço e, nessa escalada, forçou milhares e famílias a desistir de um dos alimentos mais consumidos internamente, de acordo com relatos de consumidores à mídia, a saída encontrada estava na substituição desse produto pelo ovo que, por sua vez, diante da demanda em expansão, e dos aumentos aplicados na ração destinada às granjas do País, teve o preço triplicado.
Para um segmento de consumidores que ainda conseguia bancar o valor da carne e o do ovo, agora nem um nem outro. O sabor amargo é confrontar a realidade interna com os números da exportação brasileira desses produtos. Carne bovina, frango in natura e ovos tiveram nesta primeira parte do ano desempenhos positivos. O da carne, informam setores especializados no monitoramento, indicam os negócios fechados em abril geraram faturamento de US$ 597,9 milhões e venda de 125.4 mil toneladas transformando o abril de 2021 no melhor da série, o de frango, embora com oscilações, fechou o mês de março deste ano com excelente desempenho na comparação com igual período do ano passado: 367 mil toneladas de frango exportadas que corresponderam a US$ 550.319 milhões; e o de ovos, com 3.177 mil toneladas que representaram incremento de vendas da ordem de US$ 128 milhões, o que corresponde a um aumento de 60% quando comparado a 2020.
A pauta de exportação indica a opção da política de governo, importante, mas quando o foco é principalmente o mercado externo ocorre o que se constata na realidade brasileira. Muitas famílias sem poder econômico para adquirir alimentos e outras sem acesso a alimentos. É esse aspecto, por vezes minimizados nas análises dos especialistas econômicos, que ganha importância porque pede providências imediatas e de permanência para que atenda necessidades vitais dos brasileiros. O controle dos preços internos, como os das carnes bovina e do frango, e dos ovos, em uma realidade de pandemia, deveria ser criteriosamente feito e garantidor de margem de defesa dos interesses das famílias brasileiras e, num recorte, as do Amazonas. A pauta de exportação faz bons negócios e, no dia a dia o real de brasileiros é o malabarismo para conseguir substituir alimentos e a fome da falta de comida.