O que fazer com a BR-319 e AM-366?
Em paralelo, grupos de empresários, parlamentares e de turistas estão em movimento pela conclusão e entrada efetiva da 319 no roteiro brasileiro
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Centro de Conhecimento em Biodiversidade e de instituições internacionais divulgaram, em 23 de maio, estudo sobre a BR-319 e a AM-366, conhecida como Trans-Purus. Os dados levantados apontam para as ameaças que a operacionalidade dessas estradas irão significar.
Em paralelo, grupos de empresários, parlamentares e de turistas estão em movimento pela conclusão e entrada efetiva da 319 no roteiro brasileiro. Há um clima de enfrentamento e este é alimentado a partir de um conjunto de interesses político-econômicos. Parece que não têm sido suficientemente considerados os impactos da ação para essa parte da região, os povos que nela habitam e os recursos da Natureza.
O resultado do estudo é mais um dado relevante a ser considerado nesse tema. Como o governo federal e os governos dos estados que são afetados pela BR e, de modo mais particular, a AM-366, irão se comportar? Entrar num tipo de disputa para ver quem tem mais poder, qual lobby terá êxito? Qual medida, responsável, deve e precisa ser tomada no que se refere a esses projetos?
Há demanda reprimida por parte de diferentes segmentos da sociedade amazônica quanto ao funcionamento de meios eficientes para ir e vir, realizar suas atividades. A 319 é um dos resultados dos grandes projetos pensados e impostos à Amazônia, em diferentes momentos (o da BR é de março de 1976) sob a lógica de desenvolver e integrar esse território ao Brasil. A questão apresenta um amontoado de problemas e é manipulada para criar imaginários da resolução mais fácil, de um lado, e de vilanização pura e simples do outro.
Cabe ao governo federal acessar os estudos, avançar na busca de informação qualificada, das possibilidades que as novas tecnologias podem oferecer nessa área e na apresentação, construída a partir do diálogo, de uma proposta sensata. Os acontecimentos climáticos que o Brasil ora assiste e é vítima devem servir para que as autoridades brasileiras tomem providências que superem os enfrentamentos até agora feitos, caracterizados pelo ser contra e ser a favor. A racionalidade pede um olhar cuidadoso, inteligente e criativo que seja capaz de ir além das pressões baseadas em interesses restritos que ignoram os interesses mais coletivos.