Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

O resgate do real sentido da Páscoa

Publicado em 12/04/2020 às 13h13 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h25
O resgate do real sentido da Páscoa

Com a pandemia do novo coronavírus castigando o País e o mundo, as pessoas até esquecem que estamos em plena Páscoa. Hoje, celebramos o Domingo de Páscoa, quando cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo, Sua vitória sobre a morte e indicação de um tempo de recomeço, de reconciliação. Independentemente das convicções de cada um, as circunstâncias dificílimas em que vivemos deveriam reforçar essa oportunidade para reflexão a respeito da própria vida e dos rumos que estamos dando para ela. Aos cristãos, a Páscoa precisa ser mais que uma tradição, até por que muitos ritos característicos desse período tiveram que ser modificados e até mesmo suplantados por causa da pandemia. As igrejas estão vazias, não tivermos as celebrações festivas do Domingo de Ramos, nem a procissão do Senhor Morto, nem a cerimônia do lava-pés. 

Uma outra parcela da população percebe a Páscoa como mais um feriado prolongado, chance para viajar e viver momentos de lazer com a família, sem falar no aumento do consumo, principalmente de itens relacionados a chocolate. Este ano será diferente, sem compras, sem passeios e com bem menos chocolate. O consumismo terá que ser deixado de lado, pelo menos nessa Páscoa. Sem os ritos – religiosos ou não – o que nos resta é a reflexão. O momento é oportuno para resgatar os valores e princípios por trás da mera tradição. 

Infelizmente, para muitos é extremamente difícil desapegar-se dos aspectos práticos das tradições, mesmo que isso signifique expor-se a riscos. A corrida às feiras para compra de pescado, causando aglomerações desnecessárias de pessoas sem a menor proteção ou mesmo preocupação com a própria saúde e a dos outros, é uma demonstração inequívoca de completa ausência de espírito pascoal e de responsabilidade. Esta Páscoa, mais do que nunca, deve ser de recolhimento, reflexão e prática da caridade. Nestes dias sombrios, com a economia parcialmente paralisada, já é grande o número de pessoas sem o bastante para saciar a própria fome. É fato que a ajuda emergencial providenciada pelo governo federal não poderá chegar a todos os que precisam. Cabe aos mais afortunados exercitar a solidariedade e dividir com aqueles que não tem nada. Esta tem que ser a Páscoa da comunhão, do amor ao próximo e do respeito mútuo.