Manaus seg, 19 out
A Crítica
Opinião

O respeito pede lugar na vida

Publicado em 30/12/2020 às 12h10 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h53
O respeito pede lugar na vida

O penúltimo dia do ano se apresenta sob o signo do medo e de interrogações que não foram postas para a humanidade e cujas respostas são difíceis de serem respondidas. Em Manaus, o cenário é de profunda instabilidade e de números que deveriam gerar comportamentos de profunda responsabilidade.

O que acontece, em várias áreas, é exatamente o contrário, com desvalorização progressiva dos protocolos de prevenção e de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Os indicadores que estão sendo apresentados já apontam para a situação que se pretendia evitar e, por uma série de erros no percurso feito, eclodiu.  Nesse momento, as vésperas do ano novo, governantes e segmentos empresariais apostam nas condutas mais livres que somadas ao comportamento social mais geral criam espaços altamente favoráveis à contaminação pelo novo vírus em larga escala.

É olhar para as ruas, os centros de comercio e acompanhar as notícias sobre as festas clandestinas que a fiscalização consegue alcançar. Muita gente. A maioria sem máscara, sem respeitar o distanciamento social, e sim prevalece a proximidade intensa. A confusão e a irresponsabilidade tornaram-se o instrumento da hora, quem poderá dar um basta? Ou fica a indicação de que os protocolos e as medidas legais são para ser ignorados? O Amazonas oferece um dos piores exemplos daquilo que não deveria ser feito, um comportamento social que ameaça e concretiza essas ameaças contra as pessoas, muitas das quais parte dos que insistem em banalizar as medidas de prevenção.

A disposição de comemorar à moda antiga a passagem de ano parece não mudar. As campanhas de sensibilização não conseguiram alcançar um maior número de pessoas e entusiasma-las no sentido de, por iniciativa própria, promover outras formas possíveis de celebrar a chegada do novo ano onde for possível fazê-lo sem que esses atos representem desrespeito às normas e, em especial, ao conjunto das pessoas que deles participarem. Necessitamos aprender a compreender a dor do outro e a manifestar atitude de solidariedade para os milhares que estão em sofrimento por doenças e mortes de familiares e amigos.

Em um ano que começa de forma tão desafiadora e com saldos negativos na qualidade de vida, na manutenção do trabalho, da justa renda e do acesso à vacina em prazo mais curto possível, um gesto humanitário e de esperança seria fazer valer o respeito.