Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

O vigor de Zumbi nas lutas negras

Publicado em 20/11/2021 às 12h44 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h10
O vigor de Zumbi nas lutas negras

O 20 de novembro ganha cada vez mais importância no Brasil. O feriado que vem sendo construindo por dentro de baixo para cima a partir das lutas da população negra, do movimento e das organizações negras do País. Essa diferença é um marco de profundas conexões e que pede reflexões vinculadas a ação.

É possível afirmar que a mídia nos últimos anos tem aberto espaço para divulgar mais o Dia nacional da Consciência Negra e, nessa data, produzir matérias variadas que tratam das condições econômica, social e política do sujeito negro no Brasil. Em todos os indicadores, a população negra aparece como a mais desassistida, explorada e em condição de pobreza, miséria e de violação gritante dos seus direitos humanos.

O dia de Zumbi abre espaço para expor a forma como o governo brasileiro atua no que diz respeito à segregação racial e ao racismo na sociedade brasileira e denunciar as consequências dessa conduta. A ação de silenciar e invisibilizar o povo preto brasileiro tem cada vez mais dificuldade de êxito principalmente porque as lutas negras não recuaram e não se deixaram intimidar diante da violência estrutural que reverbera ao fazer diariamente vítimas negras.

No Amazonas, algumas centenas de atividades está sendo realizadas desde a sexta-feira para marcar o 20 de novembro. São passeatas, levantes, rodas de conversas, de capoeira, shows, mostras da cultura negra e afrodescendente.  Há protestos e há celebração. Os dois gestos caminham juntos, reúnem diferentes idades naquilo que os une a luta pelo fim do racismo no País e pela instituição efetiva dos direitos humanos dos negros, das mulheres negras.

O que está em confronto é a luta para que o Brasil institucionalmente enfrente o racismo e o combata até que a sociedade compreenda que se trata de um crime e torne-se, mesmo na sua divergência, majoritariamente, contra essa prática e vigilante aos que a cultuam. Nesse momento, numa posição de grave retrocesso, são setores do governo e o próprio presidente brasileiro que incentivam e defendem posições racistas publicamente numa série de falas e de atos de permanente desqualificação dos negros, dos e das mártires negros e de negação da escravização no Brasil.  Zumbi, 326 anos depois, irrompe com força agregadora das lutas por justiça social do povo preto.