Manaus ter, 20 out
A Crítica
Opinião

Obesidade e política de governo

Publicado em 15/10/2018 às 11h03 · Atualizado em 13/03/2022 às 22h23
Obesidade e política de governo

A obesidade humana deixa de ser uma questão estética para se tornar um dos problemas críticos do País e, particularmente do amazonas onde a capital já responde pela primeira colocação de pessoas obesas entre as capitais. A série de problemas que o sobrepeso acarreta tem sido estudada em diversas áreas do conhecimento e todas elas apontam para alguns adoecimentos cujo tratamento exige investir maior volume de recursos financeiros sem que exista resposta certa para a cura, ou seja deixarão, por vezes, sequelas definitivas.

Como problema de saúde pública, a obesidade deveria ser encarada pelos governos, notadamente os municipais, dentro da pauta de prioridade e a partir daí desencadear ações transversais de mobilização e de enfrentamento da situação com disposição para envolver todas as faixas etárias. Profissionais do campo da nutrição, da Educação Física, das Artes são fundamentais nesses arranjos que de forma interdisciplinar movimentariam conhecimentos e atitudes sobre o cuidado com o corpo.

O que se vê é uma política dissociada e de menosprezo a essas áreas ou mesmo tentativa de tirá-las como campos importantes no processo de formação do individuo. O sobrepeso quando avança e atinge grau de morbidez representa a quase paralisia de uma pessoa em relação a sua capacidade de movimentar-se, e deixa suscetível a inúmeras doenças e a crises de depressão. Sofrem tanto a pessoa que costuma se sentir incompreendida quanto a família normalmente acuada por não ter clareza dos procedimentos de ajuda a esse ente.

O quadro de pessoas com sobrepeso em Manaus deixou de uma projeção para se tornar realidade e reclama por tomada de decisão que se configure como uma política governamental. Precisa se fazer presente nas escolas, como parte importante e não secundária, nas famílias e nas organizações públicas, nos espaços públicos e nos particulares; precisa ter equipes multiprofissionais atuando no combate ao sobrepeso quando este ultrapassa os limites do padrão normal, e no monitoramento do quadro encontrado e dos avanços conseguidos, não é, pois, uma ação de curto prazo e sim um programa contínuo que ao sofra interrupções a cada mudança de governo.

Os investimentos pedidos para a prevenção não aconteceram, agora necessitam ser feitos no tratamento das pessoas em situação de obesidade e de seus familiares. Devem  incluir instrumentos preventivos para que a outra geração não repita o erro do presente,