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Opinião de A Crítica: Crianças e adolescentes reféns da tela

Dados recentes expõem o avanço do consumo digital entre crianças e adolescentes e reforçam a urgência de políticas públicas, educação midiática e responsabilidade das plataformas para além do discurso da inovação

Publicado em 08/01/2026 às 09h47
Opinião de A Crítica: Crianças e adolescentes reféns da tela

Pesquisa da TIC Kids Online Brasil/2025, apresenta índices elevados da audiência de crianças e adolescentes a vídeos e influenciadores. Na faixa etária de 9 a 17 anos, o porcentual é de 46% que assistem a esse tipo de conteúdo várias vezes ao dia.

Por ordem, o estudo revela que séries, filmes e programas são assistidos por 35%, tutoriais – 29% e vídeos de pessoas jogando videogame, 23%. Realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), o estudo pontua que na faixa etária de 11 a 17 anos, os vídeos mais acessados são: 66%: de pessoas abrindo embalagens; 65%, de tutoriais; 61%: de produtos recebidos de marcas; 54%: de visitas a lojas ou eventos; 53%: de divulgação de jogos de apostas; 52%: de desafios com marcas; 39%: os sorteios ou concursos.

Mais da metade das crianças e adolescentes que assistiram a esses conteúdos, 51% segundo a pesquisa, pediu para os pais ou responsáveis para comprar um dos produtos visualizados. Outro dado é que 85% dos entrevistados têm perfil em pelo menos uma plataforma social e 65% utilizaram a Inteligência Artificial para desenvolver alguma atividade.

O tempo utilizado em tela por crianças e adolescentes é um dado de preocupação e um desafio para encontrar soluções diárias que possam despertar interesse desse público. Nas escolas, a proibição do uso de celular apresentou resultados positivos como melhorias das notas nos trabalhos escolares, da convivência social física entre estudantes, de maior participação nas brincadeiras e exercícios físicos, na leitura de livros, e nas horas de sono dessas pessoas.

Em outro estudo, os dados mostram que no Brasil crianças ficam, em média, 13,5 horas por dia no uso de telas. É o terceiro país onde esse segmento consome mais horas na atividade e fica exposto aos mais diferentes conteúdos. Embora tenham sido tomadas algumas iniciativas, como o ECA Digital e políticas para o uso das telas por crianças e adolescentes, falta maior difusão desses mecanismos e das experiências bem-sucedidas na educação tanto desses usuários quanto de seus responsáveis na utilização dessas plataformas.

São muitos os interesses em atrair o público infanto-juvenil às plataformas entre os quais a formação para o consumo intenso, utilização de imagens destinadas a práticas criminosas e exploração sexual dessas pessoas entre tantos outros fins. A saúde deles é afetada pelas horas diante da tela, perda do sono e exposição em massa a conteúdos.