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A Crítica
Opinião

Os caminhos da Polícia Federal

Publicado em 28/05/2020 às 12h47 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h18
Os caminhos da Polícia Federal

Envolvida numa disputa de afiliação de narrativa, a Polícia Federal volta à cena pública sob a lente mais acurada que acompanha a performance da instituição. Para qual caminho o corpo da PF irá seguir na atualidade que que proposta de polícia federal os dirigentes querem consolidar.

Da participação ativa na repressão que consagrou o governo militar no Brasil ao aprimoramento de condutas, do conhecimento e da valorização do corpo de agentes e do sistema de inteligência, a Polícia Federal se tornou uma das instituições de credibilidade. Passou a ser percebida pela opinião pública como órgão de confiança e alta relevância, responsável e criterioso no exercício de suas responsabilidades, uma das quais o combate à corrupção. É missão da PF “exercer as atribuições de polícia judiciária e administrativa da União, a fim de contribuir na manutenção da lei e da ordem, preservando o estado democrático de direito”. É o que determina a Constituição de 1988.

A tentativa de aparelhar dessa instância é parte de um desvio de conduta que afeta não somente o corpo da PF, mas toda a sociedade brasileira e o próprio Estado Democrático de Direito. O que ora ocorre no Brasil é parte desse capítulo. Caberá aos demais poderes a responsabilidade de agir, dentro da legalidade, para impedir que o aparelhamento se consuma e, ao mesmo tempo, garantir que os policiais federais possam desempenhar suas funções no cumprimento estrito da lei.  

É o que o Brasil precisa. Quando cenas explicitas revelam autoridades atuando para manietar a PF e direcioná-la a missões privadas torna-se necessário que medidas sejam rapidamente adotadas para sustar tais manobras. Se o Brasil permanece atendendo a uma condição democrática, não poderá silenciar diante do que está acontecendo, pois significaria retirar o país do escopo democrático e situá-lo noutro de contorno autoritário onde a interdependência dos poderes não funciona, autonomia é varrida e as instâncias responsáveis pelo Estado Democrático de Direito desaparecem nessa tarefa para atuarem na perseguição, na vigilância ilegal, na política da barganha e da tortura.

Nenhum desenvolvimento pode resistir em uma atmosfera positiva dentro de ambientes como o que o Brasil vive. O que sobra são adoecimentos coletivos para além da pandemia e em combinação com todas as formas de retrocesso.