Os conflitos no Rio Madeira
A presença de garimpeiros e das balsas demonstra que as ações de enfrentamento e do combate à garimpagem ilegal é frágil, falha ou inexistente
As balsas e os garimpeiros estão de volta ao rio Madeira, agora mais próximo do município de Borba, a 150 quilômetros de Manaus. A tendência do retorno de garimpeiros em ritmo mais acelerado havia sido apontada por estudiosos em novembro do ano passado e, repetida este ano, após a ocupação de vasta área desse rio por embarcações, equipamentos de garimpagens e pessoal em larga escala.
A presença de garimpeiros e das balsas demonstra que as ações de enfrentamento e do combate à garimpagem ilegal é frágil, falha ou inexistente. O protocolo de monitoramento que possibilitaria condutas para impedir que as cenas voltem a acontecer não está funcionando, ao contrário, a facilidade com que atuam os financiadores dessas ocupações e o pessoal mobilizado nelas indica que garimpar ilegalmente na Amazônia permanece como atividade permitida.
Para o Ministério Público Federal no Amazonas é fundamental que o Estado brasileiro tome posições firmes e estruture políticas com capacidade de oferecer condições de superar o que chama de ‘economia da destruição’. O MPF-AM instaurou, no dia 13, procedimento de investigação sobre o retorno de garimpeiros à região, tendo por base notícias divulgadas pela mídia.
A cada investida de empresários da atividade ilegal de garimpo na Amazônia aumentam os danos nos rios, nas cidades e nas populações. As iniciativas da economia comunitária, do turismo local são profundamente impactadas pelo saldo do garimpo feito nesse modelo vigente no país e de longa permanência nas cidades amazônicas. Na natureza, pesquisas mostram que o resultado é desastroso e irreversível na maioria das ocorrências de contaminação porque exige trabalho muito maior, mais oneroso e de longa duração para a reversão tanto no meio ambiente quanto em humanos.
O ambiente de campanha eleitoral deste ano, o apoio de parcela de candidatos a cargos no executivo e no legislativo aos garimpeiros tendem a aumentar as tentativas de avanço dos comboios de garimpeiros na Amazônia e, particularmente, no Amazonas. A lentidão dos procedimentos de salvaguarda por parte dos governos contribui para o agravamento da situação e poderá gerar confrontos e tragédias. O que hora se repete no rio Madeira é uma informação que deve ser levada a sério. O MPF-AM está agindo, outras áreas responsáveis precisam igualmente agir.