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A Crítica
Opinião

Os desafios do Amazonas

Publicado em 20/01/2019 às 18h22 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h50
Os desafios do Amazonas

Os tempos difíceis para a Zona Franca de Manaus já estão em andamento. Agora, o que o ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstra é maior dificuldade em clareza total. Os gestos e as falas oficiais do governo federal indicam que o Amazonas deve reorganizar-se para enfrentar a indisposição e a rejeição a esse modelo a partir do governo central e de um Congresso Nacional alinhado em aparente maioria.

Não há nessa questão, discursos brasilienses de subterfúgios. O que está sendo dito desde o começo é que não serão feitas “concessões” e que modelos como o da ZFM deve dar lugar a outros. Governos estadual e municipal, parlamentares, empresários e as organizações que representam a sociedade amazonense têm a responsabilidade de trabalhar ações que enfrentam esse condicionamento porque simplesmente não é possível permitir que seja varrida do mapa a ZFM e deixar sequelas graves à população e à economia estadual.

A ideia de concessão fiscal ao Amazonas ou de um favor aos pobres do Amazonas voltou a ganhar força e aliados fortes tendo as forças econômicas do Estado de São Paulo como uma das interessadas no progressivo enfraquecimento e desmonte do Polo Industrial de Manaus. Agora, é tempo de correr, de ampliar as conversas e os debates e forjar uma pauta comum entre os que defendem interesses divergentes no âmbito estadual. Esse é o caminho para evitar em curto e médio prazo mais desemprego, desaquecimento profundo da economia e desmantelamento da estrutura de ação governamental em todo o Estado. O grau de dependência do Amazonas à ZFM tem sido mantido em elevado nível, o que o deixa em profunda fragilidade.

Com as mudanças em concretização, não é possível manter a velha conduta de “eu vou lá e resolvo”. Não resolve. O mau humor governamental com que o assunto ZFM vem sendo tratado antecipa os apertos a caminho. O Amazonas detém conhecimento que pode ser utilizado para fortalecer industrias instaladas em Manaus, fazer do Centro de Biotecnologia um espaço propulsor de projetos realizáveis; acionar à legislação a partir dos direitos adquiridos nessa matéria e inaugurar forma de conversa que não o coloque na eterna condição de submissão, de um Estado enfermo, carente e paupérrimo à espera das migalhas da atenção federal. Se é uma república federativa que esta assim funcione.