Manaus sex, 23 out
A Crítica
Opinião

Os desafios do Brasil no ritual de passagem

O país está diante do seu maior confronto desde a retomada da redemocratização.

Publicado em 27/12/2022 às 07h47
Os desafios do Brasil no ritual de passagem

A última semana de 2022 está em curso, carrega perguntas e problemas sem respostas esclarecedoras e com potencial de resolução em curto e médio prazos. Situações graves estão postas, atentados são organizados e manifestações terroristas permanecem enquanto as figuras motivadoras para a sucessão de crimes ora realizados saem como se de férias estivessem e vão festejar o Ano Novo no exterior.

Os Estados Unidos é o endereço preferencial de uma parcela de servidores públicos, do Legislativo e do Executivo, com questões a responder na Justiça brasileira. Não um destino ocasional e sim na direção de possíveis realinhamento de projetos de poder e da alimentação, dentro do Brasil, dos segmentos de composição das forças retrógradas e da direita mais radical. O que antes era olhado a partir do Brasil com lente mais distanciada tornou-se hoje laboratório público da produção interna e exportável desse perfil de ataques e de posicionamentos envolvendo empresários e líderes religiosos-políticos.

O país está diante do seu maior confronto desde a retomada da redemocratização. Se não for observado com o cuidado que merece e no contexto nacional-mundial, esse ambiente afetará desastrosamente o futuro imediato e em tempo mais longo da nação, tornando-a instável, suscetível à intervenção e de perda da credibilidade para investimentos, quando se projeta o braço econômico-financeiro. Na América Latina, por muitas décadas, países foram usados dessa maneira a fim de atender a outros interesses e seus povos abandonados, empobrecidos, castigados por crises sucessivas que renderam lucro econômico e poder aos grupos que as criam.

Os dias seguintes deste final de ano e de início de 2023 são testes para a revitalização da democracia brasileira. Uma tarefa a ser apresentada e reapresentada à sociedade para que essa própria sociedade possa, responsavelmente informada, ampliar a compreensão de que um país democrático e de democracia fortalecida se faz todo dia. Crianças, adolescentes e jovens, estimulados a aprender a usar símbolos da violência e da morte, podem ser sensibilizados a outros exercícios que tenham no respeito, na cultura da solidariedade e na luta contra todo tipo de racismo o foco da formação e do aprendizado. O Brasil, na diferença, deve querer viver e se sentir disposto a promover a vida da sua gente e da natureza.