Os efeitos das medidas tardias e lentas
O alerta sobre a seca severa dos rios e o efeito dela está sendo anunciado desde o ano passado
A ausência de representações públicas habilitadas para sentir e agir em relação ao caos criado nas ligações em torno da BR-319 geraram o quadro demonstrado pela mídia e ora ampliado em problemas diversos. Não se trata da falta de informação e do não acesso a tecnologias que possibilitam perceber os cenários e a tomada de providência com algum tempo para minimizar os efeitos danosos da situação.
O alerta sobre a seca severa dos rios e o efeito dela está sendo anunciado desde o ano passado em meio aos acontecimentos de 2023 – estiagem, fogo, fumaça, calor elevado. Os estudos científicos apontavam que em 2024 o Estado seria atingido por eventos extremos e indicava a necessidade de maior controle ou eficiência da fiscalização quanto ao fogo provocado por ação humana.
Nem uma coisa nem outra aconteceu. A seca se apresentou, impactou regiões que ainda vivem sob os efeitos do que ocorreu no ano passado, o fogo fez a festa no Estado do Amazonas e a fumaça invadiu todos os espaços ampliando transtornos por dias seguidos. Um ambiente de instabilidade que gerou mais doenças e, no caso do ir e vir para Manaus impôs um desafio que, aparentemente, não foi considerado.
A fila de longa extensão mostrada ao longo da última semana pela mídia, os relatos revoltados de motoristas, passageiros, de familiares, dos empresários desfilam nas diferentes plataformas digitais. Cada dia um dado mais complicado e a lentidão de respostas que possam significar saídas possíveis no fluxo dos veículos, das pessoas e de toda a carga. Igualmente a própria situação das pessoas paralisadas nos trechos de ir e vir afetadas em sua saúde.
Por dias, desde os primeiros vídeos informando que uma fila estava se formando na BR-319, o problema está sendo exposto e muitos pedindo socorro. A semana encerra com congestionamento de mais de quatro quilômetros na Manaus-Porto Velho (RO) e também aglomeração na área do porto da Ceasa. Faltam balsas, o nível do rio está baixo e, no conjunto, os governos permitiram que houvesse agravamento desse congestionamento e revolta.
O anúncio de medidas adotadas pelos órgãos responsáveis chegou tardiamente e as ações efetivas são lentas diante do tamanho dos estragos feitos que também terão repercussão negativa para toda a sociedade manauara e amazonense.