Os estudantes e o preço do material escolar
Há número expressivo de pais de família, principalmente de mulheres mães, avós, tias, em dificuldade para garantir o material escolar das crianças e dos adolescentes
Há número expressivo de pais de família, principalmente de mulheres mães, avós, tias, em dificuldade para garantir o material escolar das crianças e dos adolescentes. Em livrarias, supermercados e lojas onde esses produtos são oferecidos, muitas delas passam horas examinando preços para, em seguida, abandonarem as mercadorias porque não podem pagar o valor na etiqueta.
São mulheres que se encontram nesses espaços e trocam relatos sobre o cotidiano de dificuldades. Expõem a batalha que enfrentam para manter as crianças nas escolas e oferecer a elas um pouco do que é colocado pela publicidade como elementos necessários no processo escolar e assim são assimilados pelos estudantes. A mochila desejada, o lápis, o apontador, a agenda…enfim uma cadeia de produtos que parcela dos responsáveis tem dificuldade ou está impossibilitada de pagar na atualidade.
A exacerbação da cultura do consumo levou a esse quadro de dependência profunda. Em cidades que experimentam a troca de fardamentos, livros e outros acessórios da vida estudantil, pais e ou responsáveis pelos estudantes têm conseguido fazer economia significativa, instaurar novo modelo de convivência e ensinar, com exemplos práticos, a turma sob responsabilidade deles. Sem sofrimento e com ar de que estão sendo sábios nesse tipo de partilha.
Em Manaus, algumas experiências nessa direção já acontecem embora a sociedade local necessite do estimulo continuo desse tipo de prática, do aprender nessa modalidade compartilhamento e de influenciar outros naquilo que é econômico, social e ecologicamente saudável. Não se pode ignorar que, nesse momento, centenas de famílias estão em sérias dificuldades econômicas e em meio a condição de aperto enfrentam os efeitos do consumo descontrolável na vida das crianças e dos adolescentes que se tornam alvo preferencial de uma determinada publicidade que quer reféns para vender determinados produtos, determinadas grifes buscadas por esses pequenos consumidores como referência de pertencimento. Os preços são elevados, os comerciantes exorbitam.
O ato de compartilhar fardamentos, livros, mochilas e outros produtos é um passo, sem desconsiderar a dificuldade de fazer acontecer. Toda a estrutura da sociedade está montada no sentido contrário a essa atitude e uma série de instrumentos é utilizada como defesa desse modelo, cria dependências e os transforma em necessidades efetivas. Questionar esse molde e buscar outras respostas é um bom caminho.