Os governos e a população idosa
No Amazonas, são 290 mil pessoas acima dos 60 anos dos quais 237 mil vivem em Manaus. Para muitos dessas pessoas, as condições de vida dos idosos amazonenses integra a realidade de abandono, habitações inadequadas, exploração econômica e chantagem emocional, maus-tratos e pobreza
Nono no nos três primeiros meses deste ano, o Brasil registrou 202 mil violações dos direitos dos idosos. O número é estimado considerando que parcela dessa população seque é alcançada pelos mecanismos de atenção e controle das condições de vida desse segmento, principalmente as que vivem em cidades onde a precarização do sistema de cuidados às pessoas é elevada.
No Amazonas, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE-2022) são 290 mil pessoas acima dos 60 anos dos quais 237 mil vivem em Manaus. Para muitos dessas pessoas, as condições de vida dos idosos amazonenses integra a realidade de abandono, habitações inadequadas, exploração econômica e chantagem emocional, maus-tratos e pobreza.
O envelhecimento da população brasileira se coloca como uma das instituições e a sociedade. Pensar e executar políticas públicas efetivas que tenham nos idosos o centro da atenção tornou-se uma necessidade embora colocada em segundo plano na maioria das cidades brasileiras.
Levantamentos mais recentes mostram que o Amazonas não tem nenhum dos seus 62 municípios incluído e certificado pela Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas. Em todo o país, são 30 cidades, a maioria delas do Sul e do Sudeste, de um total de 5.565 municípios, o que representa um indicador de como o assunto é percebido pelas administrações públicas estadual e municipal como espaços privilegiados de impulsionamento de programas.
O Brasil, é de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) é o país das Américas que apresenta aceleração no processo de envelhecimento populacional. A taxa é de 14% devendo alcançar 20% nos próximos anos e até 2030 a população idosa deverá ser superior a de jovens com menos de 15 anos. A ONU propõe, em nível global, a construção de 1,5 mil centros urbanos adaptados ao idoso a fim de reduzir o desequilíbrio nas cidades.
Os estudos mostram que no Brasil as pessoas idosas vivem os efeitos perversos da disparidade das situações. Uns pouco têm acesso a padrão mais saudável de vida e a maioria está submetida à falta de atenção. Nos ambientes familiares, é recorrente relegar o idoso ao isolamento, envolvendo famílias de diferentes níveis de poder econômico. Compreender a pessoa idosa como portadora de direitos e assim tratá-las é fundamental. Exige que os governos e a sociedade participem de forma ativa e responsável.