OS NÚMEROS DA PNAD E O OUTRO RETRADO DO BRASIL
Nível de ocupação no Brasil bate recorde, mas é preciso investir em programas educacionais para qualificar mão de obra
A população desocupada no Brasil, estimada em 6,3 milhões recuou 17,4% o que equivale a 1,3 milhão de pessoas que deixaram essa condição no trimestre e caiu 15,4% (ou 1,1 milhão de pessoas) no ano. Os dados foram divulgados na quinta-feira (31 de julho) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Continua).
Na outra ponta, a população ocupada, aproximadamente 102,3 milhões de brasileiros, alcançou o recorde da série histórica, cresceu nas duas comparações: 1,8% (mais 1,8 milhão) no trimestre e 2,4% (mais 2,4 milhões) no ano. De acordo com a pesquisa do IBGE o nível da ocupação (porcentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) repetiu o recorde ocorrido no trimestre encerrado em novembro de 2024. Ou seja: 58,8%, subindo nas duas comparações: 0,9 p.p. no trimestre (57,8%) e 1,0 p.p. (57,8%) no ano.
Em nota, o órgão informa que o número de empregados no setor privado (52,6 milhões) cresceu em ambas as comparações: 1,3% (mais 696 mil pessoas) no trimestre e 2,7% (mais 1,4 milhão) no ano. E quanto ao de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo os trabalhadores domésticos) também obteve recorde da série histórica alcançado 39,0 milhões de indivíduos.
No setor público, os empregados somaram 12,8 milhões, outro recorde da série. O de trabalhadores por conta própria (25,8 milhões) manteve o mais alto crescimento no período. E o de pessoas trabalhando na informalidade obteve o mais alto porcentual, 37,8%, ou 38,7 milhões de trabalhadores informais. No item rendimento real habitual todos os trabalhos (R$ 3.477) o crescimento verificado foi respectivamente de 1,1% no trimestre e 3,3% no ano.
O panorama é positivo em todas as áreas e deve ser bem recepcionado. O que não podem ser ignoradas são questões que precisam ser olhadas com atenção a fim de intervenções adequadas desde o presente, como estudos de cenários e adoções de programas educacionais para os que estão nesses setores e os demais segmentos da sociedade. Os trabalhadores informais, cujos porcentuais apontam para acelerado crescimento, misturam diferentes condições socioeconômicas e conhecê-las deve ser parte de ações do governo. Como enfrentar e atender aqueles despossuídos que terão no Estado brasileiro o último recurso diante das vulnerabilidades econômicas e de saúde.