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A Crítica
Opinião

Os números do mapa do Brasil pedem providência

A fome, questionada por setores oficiais do governo e por grupo de uma classe média alta, é real e visível nas vizinhanças, nas ruas e praças das cidades do Brasil

Publicado em 06/12/2022 às 09h28
Os números do mapa do Brasil pedem providência

O Brasil encerra o ano de 2022 com 62 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza (dados do IBGE) e uma das mais elevadas taxas de trabalho informal. São sintomas de uma política de planejamento, econômica e, em geral, governamental, adoecida e que fracassou na essência da responsabilidade de gerenciar as coisas públicas e buscar boas soluções para os problemas que se apresentam.

A situação desse contingente de brasileiros exige medidas imediatas e a médio e longo prazo para assegurar uma base capaz de oferecer condições mínimas de vida, com acesso à alimentação regular do humano, à saúde e à moradia. A fome, questionada por setores oficiais do governo e por grupo de uma classe média alta, é real e visível nas vizinhanças, nas ruas e praças das cidades do Brasil.

Mapeamento de institutos mostram que a maioria dos que vivem abaixo da linha de pobreza é da população preta e feminina. O retrato implica em colocar as mulheres em responsabilidades multiplicadas porque são elas, em porção cada vez maior que assumem a busca de comida para a família, os arranjos na informalidade a fim de ter algum tipo de renda, enfim é essa mulher que é vítima de violência diária, do racismo, que precisa lutar pela vida dela e de seus familiares.

O desafio do governo que tomará posse em janeiro é ter a capacidade de promover diálogos, superar posturas da divisão social e trabalhar por um projeto de desenvolvimento socioeconômico que tenha envergadura para responder às demandas da sociedade brasileira. Marcada pela desigualdade – uns poucos que acumulam grandes fortunas e uma maioria entre a pobreza e a miséria – a sociedade precisa ser sensibilizada para a realidade do País e incentivada a agir visando reduzir a desigualdade vigente.

Outros países conseguiram sair de quadros dessa ordem e apresentam indicadores socioeconômicos estáveis com níveis de desigualdade bem menores, avanço nas áreas da saúde e da educação, na participação ampliada das mulheres nos espaços de poder e esforços concretos para eliminar a diferença salarial de gênero. A vida nessas nações é traduzida por alto grau de autoestima. O Brasil que foi um país da alegria e situado entre os que mais apontavam a sensação de felicidade terá que decidir o caminho que quer seguir. Que seja o do bem-estar da maioria da sociedade, invertendo a base atual.