Os sem médicos do Amazonas
São 600 mil pessoas sem assistência médica no Amazonas. O número refere-se a 23 municípios que foram mais atingidos pela falta de médicos a partir da reestruturação do Programa “Mais Médicos”, do governo federal. A situação é crítica considerando que a estrutura de atenção à saúde em nível estadual não conseguiu atingir um nível de qualidade e com as mudanças feitas, esta ficou pior.
Quem já passou pela experiência de precisar de atendimento médico e não a encontrou sabe o tamanho do sofrimento que essa realidade provoca. Infelizmente, a situação é recorrente no Amazonas e tende a se prolongar com a descontinuidade do Programa Mais Médicos exatamente nas áreas onde a atenção médica se faz mais crítica. Ou seja, se antes estava difícil manter atendimentos médicos dentro de uma política regular, hoje é bem pior ao mesmo tempo que epidemias avançam e se prolongam.
O quadro caótico nesse setor foi apresentado pelo presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas, Januário Neto, durante sessão plenária na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), há dois dias. Os dados são suficientes para que as representações do Amazonas no Legislativo, no Executivo e no Judiciário formulem uma tomada de posição por parte do Ministério da Saúde para que tenha informações mais detalhadas a respeito dessa realidade e agilize respostas concretas para retirar esses 23 municípios da lista das cidades sem médicos.
Mais que isso, o fato representa um ato de violência contra os moradores e de debilidade do estado brasileiro no que se refere à garantia de assistência básica e de descaso com a condição de debilidade a que foram colocados esses moradores. A reconfiguração do Programa “Mais Médico” deixou até agora resultados negativos para parte da população mais carente do País e, em especial, das regiões que historicamente sofrem com a deficiência da estrutura de atenção integral à saúde. Faltam médicos dispostos a trabalhar nas cidades mais distantes e em distritos que apresentam especificidades, como os indígenas e de outras comunidades.
Após a sessão na ALE-AM fica uma indicação que aguarda pela tomada de posição. O que os representantes legais da sociedade amazonense estão fazendo para dizer que não compactuam com essa condição? E quando irão ao governo federal solicitar providências se não à superação do quadro pelo menos à minimização dele.