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A Crítica
Opinião

Otimismo comedido

Publicado em 22/08/2020 às 12h43 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h06
Otimismo comedido

A alta nos empregos com carteira assinada no Amazonas, seguindo o movimento de recuperação visto em todo o País, traz alívio e alimenta a expectativa de que a saída da recessão seja mais rápida do que inicialmente previsto pelo governo e por analistas do mercado. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, foram abertas em todo o País mais de 131 mil vagas formais de trabalho em julho, o primeiro resultado positivo desde março, quando a pandemia do novo coronavírus explodiu no País, causando um tranco gigantesco na economia como um todo. 

O resultado registrado no Brasil em julho é muito melhor até que o de julho do ano passado. No Amazonas, o saldo positivo foi de 2,9 mil novos empregos formais. Porém, é preciso que essa tendência de retomada seja mantida e fortalecida, uma vez que o Estado ainda está longe de recuperar os 12,6 mil postos de trabalho perdidos no acumulado de janeiro a julho deste ano. Por essa razão, apesar do indicativo de recuperação, o Amazonas, assim como todo o País, ainda vai conviver com elevado índice de desemprego pelos próximos meses, pelo menos. 

Os dados do Caged alimentam o otimismo, mas é preciso conter a euforia. A hora é de analisar os dados sobre a evolução do emprego para desenvolver medidas adequadas de fomento à criação de novas vagas. No caso do Amazonas, o saldo é puxado pela indústria, com a criação de 1.457 postos de trabalho em julho. No entanto, o setor de serviços segue no vermelho, sobretudo em áreas como educação, serviços de saúde e transporte. Outros tiveram resultados positivos, porém, sem muita expressividade. É fundamental que o poder público perceba de que forma esses segmentos estão sendo impactados para construir ações de apoio direcionadas a eles. 

Com medidas  pontuais e bem planejadas, cabe ao poder público – em todas as suas esferas – estender a mão aos setores mais atingidos pela crise para amenizar o caminho rumo à recuperação, seja por meio de linhas de crédito que realmente cheguem à ponta, ou com pacotes de ajuda fiscal, ou por quaisquer mecanismos que auxiliem esses empreendedores a manter seus negócios funcionando, com manutenção de empregos e expectativa de ampliar o quadro de funcionários em futuro próximo.