Para onde vai a madeira?
O destino da madeira utilizada em áreas atingidas pela cheia dos rios Negro e Solimões se tornou mostra de como recursos públicos são utilizados sem o devido processo de fiscalização, transparência e bom uso. Informações divulgadas na mídia, na última semana, com base em respostas dos órgãos governamentais apontavam que a madeira ficaria disponível aos moradores para utilizarem nos serviços de reparação dos danos provocados pela subida das águas em suas moradias.
A ideia, no geral, é positiva e espera-se que assim ocorra. O grave nesse dado é o aparente descaso nessa fase em que as águas estão baixando e como retirar as madeiras para fazer uso organizado delas. O volume de dinheiro público investido na compra de madeiras será cobrado dos contribuintes e a conduta mais adequada permanece sendo a de comprovar no que o dinheiro foi utilizado e o caminho que percorreu em espécie ou em produtos para atender as vítimas da cheia este ano.
Se o estado de calamidade pública possibilita que os governantes façam compras sem atender ao item da licitação pública, a prestação pública sobre os gastos feitos permanece como exigência. A carga de madeira utilizada na construção de pontes, marombas e outros espaços para o abrigo e ou o trânsito de pessoas, de animais, produtos é elevada. Daí o reforço à importância de que o material tenha uso supervisionado pelo governo do Estado e os governos municipais.
As populações amazônicas vivem o fenômeno da cheia e da seca dos rios todos os anos, em alguns períodos tem-se maior intensidade na subida das águas e noutros não. Governos dispõem de recursos tecnológicos e de humanos para lidar com os indicadores que a Natureza fornece e, poderia, se determinação tivesse, avançar nessa área investindo em pesquisa e qualificando cada vez mais os recursos humanos na região e no Amazonas até criar um centro tecnológico de ponta nesse campo interligado com outras áreas do conhecimento.
Seguramente, nesse momento, os governos estariam utilizando os recursos materiais usados na fase da cheia em programas socioeducativos que iriam impactar na melhoria da vida de milhares de pessoas e famílias. A madeira e outros materiais não entrariam no roll das disputas político-eleitorais que irão determinar o destino desses produtos.