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A Crítica
Opinião

Passageiros de ônibus abandonados

Publicado em 25/09/2019 às 12h02 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h56
Passageiros de ônibus abandonados

A terça-feira (24) encerrou como mais um dia problemático no setor de transporte coletivo de Manaus. Redução do número de ônibus em circulação e outros parados por problemas técnicos. Os carros articulados alternam a pane, e os que atendem a Zona Leste da cidade têm viagens diárias interrompidas por esse tipo de problema. Passam a provocar mais problemas quando, parados, por obstruírem o fluxo de veículos e gerarem longo trecho de congestionamento.

Assim ocorreu ontem na avenida Cosme Ferreira quando mais uma vez um ônibus articulado que seguia na direção centro bairro ficou pelo caminho. A frequência com que esse tipo de ocorrência vem sendo registrada exige respostas das autoridades que atuam no setor principalmente à população usuária que está sendo cotidianamente agredida em seu direito e submetida a situações vexatórias e de sofrimento. Há um silêncio demorado por parte da direção da Empresa Municipal de Transporte Urbano e do Ministério Público Estadual diante do cenário de calamidade em que se encontra o serviço de transporte público.

Se a redução do número de carros rodando e daqueles em pane tornaram-se corriqueiros e forçam os passageiros a hora de espera para assegurarem seus deslocamentos, outra situação em paralelo e mais antiga permanece em vigor, os assaltos a cobradores e passageiros de ônibus. Reunidas essas três condições, é possível situar o grau de dificuldade com que os usuários do sistema de transporte público estão lidando. São acontecimentos que estão todos os dias na mídia e nas redes sociais sem que sejam tratados com a importância que merecem e respostas mais efetivas sejam dadas.

A sensação que a população usuária experimenta é a de um progressivo desmonte da estrutura de transporte provocado pela medição de força entre o segmento empresarial e o executivo municipal.  Enquanto o modelo de ação é esse, os passageiros padecem em meio as disputas travadas e a lenta atuação da Justiça para fazer valer as regras legais e a adoção de um plano efetivo capaz de melhorar o sistema ou retirá-lo da precariedade em que está. É muito problema em um só setor para que a pessoa que dele necessita tenha de arcar sozinha com as consequências.