Perigo nos portos exige providências
O porto se tornou pequeno para o tamanho do movimento
O acidente na Balsa Amarela, cujo colapso da escada por pouco não se tornou uma tragédia na tarde de ontem, é sintoma grave das péssimas condições da estrutura portuária de Manaus e do Amazonas como um todo. Vale lembrar que, em junho de 2022, parte da plataforma de embarque do porto Roadway, em Manaus, conhecida como Cais das Torres, afundou no Rio Negro por problemas nas boias da estrutura, que completará 120 anos em 2027. Mais de um século se passou, e as instalações – projetadas e construídas para atender a demanda do ciclo da borracha – permanecem as mesmas, flagrantemente inapropriadas para a nova realidade da capital.
O porto se tornou pequeno para o tamanho do movimento. Veículos, cargas, passageiros, fretistas e ambulantes disputam o espaço, causando uma confusão absolutamente caótica nos momentos de pico. A necessidade de ir ao porto nestes momentos torna-se um suplício, quando deveria ser a atividade prazerosa de visitar um dos pontos de maior importância histórica de Manaus.
Foi a própria insuficiência estrutural do Porto de Manaus que motivou a instalação de terminais flutuantes independentes ao longo da orla a partir da década de 1990. As diversas balsas – amarela, vermelha, branca etc – são demonstração de que, na ausência estatal, o setor privado “se vira”. As balsas são estruturas privadas e as embarcações pagam taxas pelo seu uso, e diversos órgãos fiscalizam o serviço.
Infelizmente, o incidente na Balsa Amarela, mostra que ocorre alguma falha nessa fiscalização. Quem frequenta as balsas sabe que as escadas – e as próprias balsas – apresentam uma série de problemas. As escadas são enferrujadas e com muitos desgastes aparentes, utilizá-las é um risco evidente. Felizmente, a queda da escada na Balsa Amarela não vitimou ninguém, mas não podemos esperar que alguém se machuque para exigir mais segurança para passageiros e trabalhadores que se arriscam todos os dias em meio à infraestrutura precária.
A organização da orla precisa ser debatida. Os proprietários das balsas poderiam ter acesso a linhas de crédito especiais para modernizar as estruturas, e a fiscalização do local não pode fechar os olhos para a falta de manutenção. São temas relevantes cujo debate não pode mais esperar.