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A Crítica
Opinião

Pingo no I

Publicado em 12/08/2021 às 11h36 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h34
Pingo no I

Se faltava um pingo no i das medidas descabidas do presidente brasileiro, este acaba de ser colocado e o foi de fato. A concordar e incentivar o desfile de equipamentos militares de peso na área do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, o chefe da nação escancara inconsequência de um presidente e a disposição em criar e alimentar confrontos em todas as direções, à exceção dos que o acompanham acima de Deus e da Pátria, sem medir a consequências.

Saem muito arranhadas por essa manifestação as forças armadas que acabaram envolvidas em episódio pífio, em particular os comandantes do Exército Brasileiro e da Aeronáutica. Bolsonaro conseguiu mais uma vez empurrar as Forças Armadas para um papel que as ridiculariza, pior, somente pela mente que o orienta e se satisfaz com o enquadramento do Brasil, em nível internacional, no espaço da pilhéria.

Uma nação com 212 milhões de habitantes, uma função até então estratégica na  América Latina, que há pouco tempo tinha lugar de destaque nas negociações internacionais, nas formulações e proposições recebidas com atenção vem sendo submetia, no governo Bolsonaro, a cada período, à zombaria. Se ao governo brasileiro não importa a situação construída, cabe, a cada dia, às instituições a tarefa de enfrentar o desmando e os atos tresloucados do dirigente brasileiro.

Já não é mais possível apaziguar ou minimizar o comportamento presidencial. O que está sendo demonstrado é que Jair Bolsonaro e parte dos seus assessores mais diretos não têm responsabilidade para com o País e que o slogan “a Pátria acima de todos” é um faz de conta, porque o presidente demonstra não saber o que é pátria e faz do Brasil um quintal onde chafurda com uma turma restrita também desvinculada da nação.

O dia seguinte do presidente do Brasil e da Presidência brasileira geram mal-estar profundo, apontam para a necessidade imediata de os demais poderes se posicionarem firmemente diante dos ataques feitos e das feridas abertas. Diante de uma população acossada pela fome, o desemprego, traumatizada por uma pandemia que levou à morte aproximadamente 570 mil brasileiros, o presidente do Brasil faz a opção pelo conflito, por uma atuação distante e ausente das causas fundamentais da sociedade, usa e abusa de procedimentos de ostentação e de irresponsabilidade.