Planejamento contra a violência
Apesar de apresentar queda de 14% em dez anos, o Brasil lidera o ranking da ONU de países com mais homicídios
A violência continua sendo um dos grandes desafios do País. O Atlas da Violência – estudo desenvolvido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2022 – revela que houve naquele ano mais de 52 mil homicídios no Brasil, outros 5,9 mil assassinatos não entraram nas estatísticas oficiais por se tratar de mortes violentas por causa indeterminada (MVCI). Apesar de apresentar queda de 14% em dez anos, o Brasil lidera o ranking da ONU de países com mais homicídios. A taxa global gira em torno de 6 crimes desse tipo por ano para cada 100 mil habitantes; por aqui, a média é de 21,7.
Além disso, as regiões Norte e Nordeste são apontadas como as mais violentas pelo estudo do Ipea. Em Manaus, diariamente, temos demonstrações da violência e insegurança. Ontem, ocorreu o caso extremo em que um homem matou a esposa e, em seguida, tirou a própria vida dentro de um micro-ônibus, na presença da filha de apenas dois anos. Em outro caso, um entregador foi assassinado durante uma tentativa de assalto. Isso sem falar na atuação intensa de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas, que certamente estão envolvidas em boa parte dos homicídios registrados no Estado. A insegurança e a violência estão em todos os lugares e garantir a segurança dos cidadãos deve ser um compromisso do poder público em todas as suas esferas.
Tanto prefeituras como o governo do Estado, assim como o governo federal devem atuar de maneira articulada para combater e prevenir a violência. Teremos, neste ano, eleições municipais. O tema da insegurança precisa ser amplamente debatido pelos candidatos, afinal, um importante papel cabe às prefeituras. Que alternativas podem ser acionadas para proporcionar mais segurança? Não resta dúvida que o fortalecimento das polícias é essencial, inclusive da guarda municipal. A mera presença de agentes da lei já teria um efeito imediato na taxa de criminalidade. Mas não basta quantidade, precisamos de policiais bem treinados, bem remunerados, motivados e devidamente equipados para desempenhar suas funções. Algo assim exige investimento pesado, mas cabe aos gestores públicos gerenciar os recursos disponíveis e priorizar as áreas sensíveis. A segurança é uma delas.