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A Crítica
Opinião

Poder público deve agir já diante da possibilidade de nova seca severa

É preciso planejamento e ação em conjunto para se evitar os problemas enfrentados pelo Estado no ano passado

Publicado em 16/03/2024 às 08h54
Poder público deve agir já diante da possibilidade de nova seca severa
Foto: Junio Matos

O cenário de seca no Amazonas no segundo semestre, de acordo com previsão de técnicos da Defesa Civil e com base em monitoramentos do movimento das águas dos rios, pede providências imediatas.

No setor de produção de alimentos, alguns sinais já estão sendo dados com escassez de produtos e aumento de preço de outros o que impacta diretamente no acesso aos gêneros alimentícios da maioria da população do Amazonas.

A longa seca dos rios amazonenses que afetou a agricultura, à pesca e a criação de aves entre outros segmentos produziu prejuízos ainda não recuperados. Os sinais de seca mais severa a partir do segundo semestre deste ano, se confirmados, serão um novo e duro impacto na vida da população e dos pequenos negócios no Estado.

O que se aguarda é um posicionamento de governo que demonstre o planejamento  feito ou em elaboração para lidar com o que está sendo anunciado. É momento de governos trabalharem juntos, estado e municípios, para a obtenção de resultados mais positivos tanto aos que estão vivendo o problema, os diretamente afetados pela estiagem e a seca e, no geral, pelos demais segmentos que sentem hoje e sentirão nos próximos meses o impacto dessa situação.

No Amazonas, muitas famílias vivem em extrema dificuldade, sem emprego e sem acesso as três refeições. No ano de 2020, o IBGE identificou 2.7 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar (quando a pessoa não dispõe de acesso físico, econômico e social aos alimentos para atender às suas necessidades), e, até 2022, o quadro se acentuou. A informalidade passou a ser o meio de milhares de tentar obter algum recurso financeiro para conseguir atender necessidades mínimas e a fila de pedintes ficou mais visível em vários ambientes.

Em setembro de 2023, o governo do Amazonas aderiu ao programa “Brasil Sem Fome”, do Governo Federal. A ação é para retirar o país do mapa da fome até o ano de 2030 e reduzir as taxas de pobreza, insegurança alimentar e nutricional. A versão do programa no Amazonas precisa ser apresentada à sociedade, com informações a respeito das etapas e o que está sendo feito e em quais municípios. O programa pode ser um dos instrumentos para impedir o agravamento da pobreza e fome no Estado diante dos efeitos da crise climática.