Política ambiental urgente
Desenvolvimento sustentável é um termo que pode parecer meio óbvio, mas apenas para quem já ouve falar disso há muitos anos. Para o resto do País e também para o mundo, ainda se trata de um conceito que precisa ser melhor difundido e compreendido. Basicamente – e em termos bem simplificados – trata-se de conjugar desenvolvimento socioeconômico com preservação ambiental. Na teoria, parece algo bastante simples. Na prática, porém, ainda não foi devidamente aplicado. Aqui, na Amazônia estamos ainda na fase de discussões sobre como aplicar tal conceito de maneira satisfatória. Mais um capítulo dessa trajetória será traçado hoje, na reunião entre lideranças empresariais do Amazonas com o vice-presidente Hamilton Mourão. O fato de o encontro ser com o vice-presidente já é algo favorável em si, uma vez que o debate de tal tema com o próprio presidente não teria como ser produtivo por motivos óbvios.
As lideranças do Amazonas, é claro, tentarão mostrar ao vice-presidente os vários estudos realizados nos últimos anos que associam a existência da Zona Franca de Manaus à preservação da floresta. Porém, espera-se que o foco do debate não fique limitado a esse ponto, uma tecla exaustivamente batida há muito tempo. O Estado precisa lançar mão de outros argumentos se pretende causar alguma sensibilização no Executivo nacional. E há casos interessantes para explorar.
Como a experiência exitosa da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), que tem materializado nas unidades de conservação do Estado o conceito de desenvolvimento sustentável, por meio de atividades como o manejo de pirarucu, na região de Mamirauá. Trata-se de uma atividade rentável para toda a comunidade, que aproveita uma riqueza natural da região, gerando ganho financeiro sem comprometer o ecossistema.
É apenas um exemplo, uma demonstração do que pode ser feito em toda a Amazônia, geração de riqueza, primeiramente para o amazônida, e por extensão, para o País. Atividades assim podem ser a base para o turismo, seja qual for sua configuração no mundo pós-pandemia. É uma visão ampla, que conjuga os interesses da população tradicional com as riquezas do local e o impacto que isso pode ter sobre o mundo. Este é um caminho que precisa ser considerado pelo governo federal. Na verdade, esta deve ser a principal proposta, a linha-mestra da política ambiental até agora inexistente no governo Bolsonaro.