Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Politicagem na pandemia

Publicado em 27/04/2020 às 12h07 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h23
Politicagem na pandemia

Discutir intervenção federal na saúde neste momento delicado é muito claramente uma manobra política com objetivos diversos, sendo que saúde do povo amazonense e o combate efetivo da pandemia de covid-19 não estão entre eles. A saúde no Amazonas, assim como em todos os Estados, precisa de apoio. Deputados, vereadores, empresários e a sociedade em geral precisam unir forças para pressionar o governo federal por essa ajuda por mais verbas, mais equipamentos, mais testes…

Afirmar que o sistema de saúde do estado não estava preparado é reafirmar o óbvio. Nenhum estado estava preparado. E no caso do Amazonas, a situação se agrava pelo fato de que, por vários anos, operou por aqui o esquema comandado pelo médico Mouhamad Moustafa, e desbaratado pela operação Maus Caminhos. É óbvio que o sistema estava fragilizado e sua reestruturação não é algo que se resolva da noite para o dia. Difícil imaginar o benefício que uma intervenção federal traria para o Estado, considerando o trato que Brasília tem dispensado à crise sanitária, substituindo o ministro da saúde em plena pandemia por um médico sem conhecimento do funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e com o presidente da República defendendo, para perplexidade de qualquer pessoa com o mínimo de bom senso, o fim do isolamento social exatamente no momento que o País se aproxima da fase crítica da pandemia. 

O pedido de intervenção foi formulado pela Assembleia Legislativa e prontamente rejeitado pelo Planalto após consulta ao governo estadual. No último domingo, uma parte do Parlamento voltou à carga, insistindo no pedido de intervenção e afirmando – em documento – que a medida teria o apoio do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público do Estado (MPE). Isso foi prontamente desmentido pelo MPF, que  assim como os outros órgãos ministeriais, pediu “ações de acompanhamento, auditoria e controle das medidas adotadas pelo governo do Amazonas”, o que difere muito de um pedido de intervenção.

O tal pedido, aliás, não foi unanimidade na Assembleia, sendo assinado por 13 dos 24 parlamentares. Novamente, questões puramente políticas precisam ser deixadas de lado nesse momento tão difícil que o Amazonas e o País estão passando. Politicagem não vai resolver a crise, mas pode agravá-la.