População idosa e abandono ampliado
No Brasil, a população com idade acima de 60 anos soma mais de 30 milhões
Os atos de violência contra a pessoa idosa estão no pacote do aumento das agressões a vulneráveis. Um outro aspecto é a subnotificação dos casos considerada por especialistas e agentes sociais que atuam com população idosa e têm acesso com maior proximidade a situação de maus-tratos e de exploração.
No dia 15 deste mês, ‘Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a pessoa idosa’, ações em diferentes regiões do mundo serão realizadas para chamar atenção à condição de vida da população idosa, bastante agravada pela pandemia da Covid-19. A data foi instituída, em 2006, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Rede Internacional de Prevenção à Violência contra a pessoa idosa.
A ONU chama atenção para a necessidade urgente de planejar e realizar ações integradas que possam prevenir a violência praticada contra a pessoa idosa e criar meios de retirar a invisibilidade que ainda cobre esse tipo de agressão. No Brasil, a população com idade acima de 60 anos soma mais de 30 milhões e, de acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060, serão 58 milhões de brasileiros o que corresponde a 25% da população do País.
O novo rosto da população nacional se altera em nível mais rápido enquanto os debates sobre o tema são escassos e as políticas públicas destinadas ao segmento idoso estão muito longe do que poderia ser considerado bom. Nos últimos anos, as ações destinadas a esse grupo social foram encolhidas e muitas delas desapareceram. A fragmentação dos programas somada a supressão de benefícios atinge duramente os idosos mais pobres e agrava a condição de abandono em que parcela expressiva desse contingente vive.
No Amazonas, a maioria das cidades não está apta à vida das pessoas idosos. A capital do Estado aparece em publicações especializadas como um dos lugares ruins para viver considerando a faixa etária acima dos 60 anos. A questão é tratada tanto pelo Poder Executivo quanto pelo Legislativo de forma esporádica e da parte das instituições e da sociedade organizada o comportamento repete a ausência e a falta de inserção contínua de monitoramento e tomada de decisão que responda às demandas produzidas pelos idosos em todas as áreas.