População pede socorro
Está nas mãos da justiça o destino a ser dado a algumas questões fundamentais para a população de Manaus e do Amazonas, como as relacionadas à elevação de preços de produtos e serviços essenciais às famílias. Dessa relação constam os sucessivos reajustes na conta de energia elétrica, dos remédios, dos alimentos.
Faz-se necessário que outras instâncias se sintam provocadas e atuem como ente representativo da sociedade e mobilizador de ações que garanta a estabilidade social, reivindiquem explicações e o conhecimento de medidas para enfrentar desmandos, ataques às populações mais vulneráveis e abandono destas à própria condição a que se encontram.
É o que o País vive na atualidade e exemplo que a administração central espalha nas unidades estadual e municipal da federação. A ação do judiciário, neste caso, em nível estadual é necessária e poderá implicar no acompanhamento dessa postura por parte de outros estados e de outros municípios até se constituir numa força ampliada que ressoe na estrutura do governo federal e produza efeitos mais alentadores para os milhares de brasileiros que vivem outra agonia para além da pandemia, o de se sentirem órfãos.
A forma como os reajustes de preços vem se dando no Brasil, principalmente por parte de setores que trabalham com itens essenciais, é abusiva. Não se sabe de nenhuma ação governamental que tenha assegurado a consumidores um nível de tranquilidade para atravessar a pandemia com grau de transtornos mais baixo do que ora é experimentado. Onde buscar respostas que sejam justas? Que setor oferecerá essas respostas?
O governo comporta-se como se fosse um visitante olhando as coisas ocorrerem no Brasil e, alheio, contempla um cenário de milhares de desempregado, de famintos, doentes enquanto segmentos empresariais promovem a festa do aumento de preço, sob a alegação quase geral de que perderam muito no período de pandemia. Uma outra versão sobre as perdas volumosas pode ser vista a partir dos dados divulgados pela mídia quanto aos lucros dos bancos, dos supermercados, das farmácias. No que se refere as empresas que exploram o serviço de água e de energia elétrica, a constatação é a de que a privatização dessas áreas tem sido prejudicial à sociedade.