População sob arrocho
A bandeira vermelha 2 é mais um ato de ataque a já vulnerável condição de vida dos brasileiros pobres, a maioria da população. Até esse momento, sobre esse assunto, o que a sociedade obteve de resposta está restrita à fala oficial do ministro de Minas e Energia justificando o reajuste nos preços e a análise de especialistas indicando que a conta de luz elétrica ficará mais pesada nos bolsos dos consumidores.
Arrochada pela série de reajustes deste e de outros serviços, a população assiste ao distanciamento das autoridades governamentais como se não tivessem nada a ver com o problema criado. Há paralisia por parte do governo federal em tomar atitudes que possam salvaguardar os interesses da sociedade e, em especial, daquela fatia mais desprovida de recursos financeiros e mais atingida pela pandemia da Covid-19.
Cabe as autoridades governamentais oferecer outras alternativas e evitar que tantos brasileiros fiquem inadimplentes quanto ao pagamento da conta de luz elétrica ou que venham a ser privados desse serviço porque não conseguiram pagar o valor cobrado. Afinal, governos são eleitos na perspectiva de melhorar as condições de vida da sociedade e o desenvolvimento do país. No caso brasileiro, os únicos setores que apresentam bom desempenho são aqueles que não dependem da atuação governamental e sim das condições climáticas e seguem autodeterminando as ações a serem executadas. A questão é que esses setores, como o do agronegócio, não impactam positivamente na geração mais expressiva de postos de trabalho, na distribuição e aumento da renda.
É no cenário de elevado grau de desemprego e da explosão da informalidade que o governo cruza os braços diante das sucessivas elevações de preço em setores fundamentais para a população (água canalizada, gás de cozinha, gasolina, luz elétrica, alimentos, medicamentos e planos de saúde, entre outros). Administrar transferindo os problemas para os administrados fere a própria lógica de governar e demonstra a ineficiência e ineficácia das equipes de governo e do chefe de governo.
Assim encontram-se os brasileiros. A corda aperta mais e sufoca aquelas camadas já desassistidas e que experimentam a fome por absoluta falta de acesso ao alimento. É como se o Brasil estive à deriva, com alguns segmentos tomando decisões sem preocupação com o efeito dessas decisões sobre a maioria, somente protegendo seus negócios mais restritos.