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A Crítica
Opinião

Por que votar para prefeito?

Publicado em 03/11/2020 às 10h30 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h58
Por que votar para prefeito?

A 12 dias das eleições municipais no Brasil candidatos a prefeitos revezam-se na ginástica de conquistar votos. Na maioria das propostas apresentadas por postulantes ao posto de prefeito de Manaus, o que se verifica, entre os 11 candidatos, é a proximidade de uma mesma visão a respeito do como administrar a cidade. Há repetição de propostas – armar a guarda municipal e melhorar o serviço e a segurança no transporte público.

Se a falta de uma proposta inovadora é visível, a repetição, em maior ou menor intensidade, das promessas feitas em outras campanhas aponta para um olhar habituado aos problemas da cidade e que, nesse sentido, tendem a ser tratados como naturais. Uma ou outra proposta escapa a essa leitura, mas aparece solta desvinculada de um programa-proposta para administrar o município que possui população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020), em 2.219,580 pessoas.

Áreas fundamentais em todos os 5.570 municípios do Brasil, como Saúde, Educação, Meio Ambiente/Saneamento e Transporte Coletivo, aparecem na capital do Amazonas como desafios administrativos e, aqui, deve-se considerar que Manaus é, entre os 62 municípios, o que apresenta o melhor perfil socioeconômico embora também expresse profunda concentração de renda, elevado porcentual de desigualdade e posicionamento de poder político-econômico muito forte, daí permanecer válida a denominação de cidade-estado. Tal condição exige que o futuro prefeito entenda o contexto e atue nele na perspectiva de fazer da cidade um exemplo de boas práticas administrativas e realize acordos adequados na relação intermunicipal.

Quando comparada a outras cidades brasileiras, Manaus aparece com índices baixos nos itens arborização (23,9%); domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (calçadas, bueiro, pavimentação e meio-fio), é de 26.3%. No quesito domicílios com esgotamento sanitário adequado houve melhoria e, hoje, 62.4% das moradias dispõem desse serviço. Precisa avançar, corrigir falhas existentes no sistema e ampliar o alcance das famílias à rede. De acordo com o IBGE, 37.6% dos domicílios manauaras não possuem esgoto sanitário, uma taxa elevada que, somada as demais, empurra para baixo as condições de vida das famílias da cidade, local de expressiva circulação de dinheiro. Aos eleitores fica a tarefa de olhar para além da peça de campanha e enxergar a proposta mais sensata, sinalizadora de relações respeitosas e comprometidas com efetivas melhoria no conjunto que forma a cidade de Manaus.