Por quem os sinos tocam?
A uma semana da eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas uma questão volta à cena. Afinal, qual é a relação de importância dessa direção à sociedade? O interesse pelos cargos que compõem a mesa é enorme entre os membros da Casa (formada por 24 deputados) e o governo estadual que costuma, na maioria das vezes, decidir silenciosamente sobre a composição desse corpo de poder no legislativo.
Desta vez, o enredo se repete. O item diferente é a aparente disposição das mulheres de garantir uma das vagas e assegurar por força da exigência legal de garantir a representação de mulheres nesses espaços. Três candidatos disputam a vaga de presidente do Legislativo amazonense que se mexem a partir dos padrinhos que possuem noutras instâncias e noutros poderes e de como esses se articulam para conquistar o voto dos demais deputados. Nessa direção, o movimento é intenso e a cada dia apoios a este ou aquele nome são anunciados para criar a sensação de candidatura robusta e com possibilidade real de vitória.
Nos bastidores, as alianças são fechadas a ferro e fogo, por afinidades, receio, favores e compensações. Um vale tudo que passa, por vezes, longe das preocupações da sociedade, mas pelo tamanho das voltas e densidade da campanha pela presidência da ALE-AM e demais cargos na mesa (que acaba de ser ampliada em mais dois postos), há muito de interesse entre as demandas populares e a forma de manejar a postura de uma Assembleia Legislativa.
Seria recomendável que as organizações populares tivessem maior interesse nessa pauta e a aproximasse dos espaços públicos promovendo debates nas escolas, nas feiras, nas associações. O que a mesa diretora do Poder Legislativo tem a ver com as condições de saneamento do Amazonas ou das decisões que o Governo Estadual irá tomar quanto às terras dos povos indígenas, dos quilombolas, das comunidades tradicionais, sobre as áreas de preservação ambiental, de manejo de pesca nos lagos, na diretriz de atendimento na saúde, na educação, na cultura. Enfim, a direção da ALE-AM poderá exercer papel relevante no exercício da interdependência dos poderes colocando-se como elemento de proposição, de cobrança e de soma nas ações que irão sustentar o mandato governamental. Falta à direção do Legislativo, há muito tempo, uma postura pró-ativa, inovadora, interdependente e superar os laços de subserviência.