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A Crítica
Opinião

PPA testa aptidão do governo

Publicado em 23/05/2019 às 12h54 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h41
PPA testa aptidão do governo

O Plano Plurianual 2020-2023, PPA, é instrumento importante para os governos, principalmente. Um dos poucos mecanismos onde é possível, de forma mais ampliada, discutir o planejamento em versão real e diversificada porque o melhor modelo de PPA é aquele que encara a realidade e projeta as possibilidades de administrar, de propor, de inovar e avançar na proposta de desenvolvimento e da gestão pública.

A gestão pública tem no PPA a chance de ser modernizada e melhorada. Para isso, o plano reclama planejamento responsável e sensibilidade técnica-administrativa. Ao longo do tempo, o mecanismo deixou de ser potencializado para assumir a carga mais burocrática completando-se em documentos que sinalizam com promessas para serem ignoradas e, depois, o plano é guardado, melhor engavetado.

A consulta pública, aberta há dois dias, pelo Governo Estadual, para a concepção da futura edição do PPA, é uma iniciativa positiva. Precisa ser tratada pelo potencial positivo que representa e tratada por gestores que tenham a capacidade de perceber além das redes de intrigas e de posicionamentos menores. O PPA não pode ser confeccionado a partir do próprio umbigo dos governantes e do corpo técnico que os acompanha, necessita do olhar e da vontade técnica em vinculação direta das diferentes áreas que possam aproximar, instaurar diálogos e fazer pontes entre as áreas objetivas e subjetivas que compõem a administração pública.

O trabalho ora iniciado é um teste ao governo estadual. Poderá expressar o ciclo de dificuldades ao qual o Estado do Amazonas foi submetido. O plano poderá sinalizar com outros caminhos legais e justos no enfrentamento dos obstáculos e na superação da estagnação. Também indicará, em meio aos arranjos técnicos, o tamanho da vontade de restaurar a relação de interdependência dos poderes completamente contaminada pela dependência e vícios que fizeram apodrecer os tecidos da convivência entre os poderes e destes com a sociedade.

Neste cenário de retrocessos e de avanço do conservadorismo, o PPA do Amazonas poderá vir a ser a força viva impulsionadora de um governo que quer assumir os problemas da gestão pública e buscar saída para superá-las. Entre todo o jogo jogado nesse processo contaminado por interesses privados, vaidades, egoísmo e desconhecimento, boas propostas podem nascer e ser implementadas, desde que a discussão seja bem recebida e bem-feita.