Manaus dom, 18 out
A Crítica
Opinião

Presente para Manaus

Publicado em 01/04/2022 às 07h59
Presente para Manaus
Foto: Elton Viana/Semcom - 19/mai/2021

A notícia de que o Parque Lagoa do Japiim, localizado no bairro de mesmo nome, será revitalizado, com a despoluição das águas da lagoa artificial, principal atração e razão de ser do parque, é recebida com alegria, principalmente pela população que se beneficia diretamente da instalação. Contudo, há certas “lições” que não deveriam ter esse status. Quando se instala uma lagoa artificial em área urbana – como qualquer outra instalação pública – é certo que a obra deve incluir um programa de manutenção periódica, sob pena de que a degradação do patrimônio público aconteça sem controle dia após dia.

O Parque Lagoa do Japiim foi inaugurado em 2008 com a proposta de transformar 41 metros quadrados em área de lazer para crianças, jovens e adultos; um dos raríssimos parques urbanos de Manaus. De início, foi algo sensacional, atraindo assíduos frequentadores. Porém, a falta de cuidados logo fez a água do parque assumir uma coloração muito suspeita e um mal cheiro passou a ser característica do local. Desde 2017, o espaço não recebe qualquer intervenção pública.

Aqui, vale ressaltar a ironia de a Prefeitura ter investido, na época da inauguração, R$ 6 milhões em uma intervenção urbana que deveria ser algo bastante comum na cidade, caso seus inúmeros igarapés não tivessem sido tragados pela expansão urbana desenfreada. O entorno de cada igarapé que corta a cidade poderia ser um parque, mas tal projeto, nos dias de hoje, é praticamente inviável pelo enorme custo que decorreria da remoção das populações que já ocupam essas áreas há muito tempo. 

Resta-nos parques com lagoas artificiais como a do Japiim, já que os cursos d’água naturais já se encontram totalmente degradados. Felizmente, o Parque será restaurado. O termo de cooperação técnica entre Prefeitura e a empresa Águas de Manaus, visando esse objeto, foi assinado ontem, dia em que o bairro do Japiim completou 52 anos de fundação.

Se tudo for levado a termo, a lagoa pode estar despoluída até o final do segundo semestre. 
Nesse contexto, vale o alerta a respeito da “lição” mencionada no primeiro parágrafo: despoluir a lagoa sem estabelecer um programa permanente de manutenção da qualidade da água e do entorno equivale a cometer o mesmo equívoco de 13 anos atrás. A sociedade espera que a lição tenha sido aprendida.