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A Crítica
Opinião

Presídio é escritório do crime

Segundo investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernandinho Beira-mar seria o chefe da organização criminosa que roubava cargas na Baixada Fluminense com objetivo de obter recursos para financiar atividades de facções criminosas.

Publicado em 11/12/2024 às 09h22
Presídio é escritório do crime
Foto: Agência Brasil

O Brasil todo deveria estar  se perguntando como um detento, encarcerado em presídio de segurança máxima há mais de 20 anos consegue liderar atos criminosos que causavam prejuízos milionários. Segundo investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernandinho Beira-mar seria o chefe da organização criminosa que roubava cargas na Baixada Fluminense com objetivo de obter recursos para financiar atividades de facções criminosas. 

Além de desmantelar o esquema, a Polícia tem o dever de descobrir como Beira-Mar consegue dar ordens de dentro do Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. É uma vergonha internacional para o País que suas prisões de segurança máxima funcionem como hotéis para criminosos de grosso calibre. 

Existem no Brasil cinco  penitenciárias federais classificadas como presídios de segurança máxima. Tais complexos possuem sistema de vigilância avançado que conta com captação de som ambiente e com o monitoramento de vídeo, o material de vigilância das penitenciárias é replicado, em tempo real, para a sede da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) em Brasília. O problema, tudo indica, não são eventuais falhas de natureza tecnológica. É evidente que criminosos como Fernandinho Beira-Mar e outros que, como ele, continuam mandando e demandando da prisão, contam com a conivência de autoridades. Não adianta construir edifícios modernos e adotar as melhores ferramentas de gestão de presídios se o detento tem a chave da própria cela e segue atuando livremente. E essa situação é tão comum que não surpreende ninguém. A falsa segurança máxima dos presídios brasileiros já foi aceita e banalizada pela população. 

A situação no Brasil é tão absurda que seria uma revolução se os detentos, independentemente do tamanho da ficha criminal, uma vez no presídio, perdessem totalmente a capacidade de continuar comandando seus asseclas. Ainda não há notícias sobre eventuais investigações para apurar responsabilidades e as falhas que permitem a Beira-Mar usar sua cela como escritório do crime. Tudo indica que as autoridades continuarão fingindo que prenderam, enquanto os bandidos fingem que estão presos.