Pressão sobre o Amazonas
O Estado do Amazonas é uma das unidades da federação que sofrerá impactos profundos pelas decisões tomadas nos anos tanto em decorrência da paralisação quanto da suspensão de determinadas atividades e programas estratégicos. Aos eleitos para o governo estadual, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional caberá a responsabilidade de retirar o Estado de uma situação real de paralisia ou no mínimo drástica redução dos investimentos.
Há uma grande pressão para aumentar a derrubada da mata no Amazonas sob o discurso de que projetos de desenvolvimento poderão resolver o problema da falta de postos de trabalho e da queda na renda das pessoas. A maioria dos projetos implantados não ofereceu respostas salutares à população amazonense, gerou lucro aos investidores e produziu, primeiro em Manas, depois nas outras cidades, bairros com alto índice de pobreza e violência. Não foram realizadas ações continuas que pudessem assegurar o avanço do saneamento básico. O nível neste item é crítico.
Pelas mãos dos legisladores a serem eleitos em outubro passarão inúmeras propostas que terão no Amazonas e a Amazônia o foco principal. Os eleitores, com a outorga dos mandatos, irão definir de acordo com suas consciências e os interesses que irão representar. A tendência hoje apresentada é de agravamento das condições de vida das populações amazônicas e de proliferação de propostas para exploração de recursos naturais nesta parte do Brasil, de redução das unidades de conservação, privatização de empresas públicas e liberação da exploração mineral em áreas resguardadas como parte das terras indígenas.
Muitos conflitos estão indicados e se os futuros legisladores estiverem a serviço dessas investidas, o Amazonas e a Amazônia serão enquadrados numa lógica de exploração cujo histórico está disponível no Brasil e no mundo e é visível nas cidades, onde multidões sem teto, sem-terra, sem comida, sem trabalho disputam as sobras e um lugar para viver. São os filhos dos projetos que quando aprovados anunciaram a revolução e a possibilidade de enriquecimento, deixaram de esclarecer que estes eram destinados a poucos e que a maioria iria permanecer na situação em que vivia ou em condição pior, expulsa do lugar onde plantava, colhia e vivia. A Amazônia é fortemente tratada como um lugar para ser saqueado.