Prevenção de tragédias
A tragédia no litoral de São Paulo é mais um alerta para o atual panorama climatológico
A tragédia no litoral norte de São Paulo já soma mais de 50 mortos, 2.500 desabrigados e dezenas de desaparecidos. Famílias inteiras foram destruídas. O nível de precipitação ocorrida na região no último final de semana foi o maior já registrado na história do País. É muito triste a constatação de que a catástrofe fora prevista e poderia ter sido evitada. O risco de deslizamento foi apontado pelo Ministério Público ainda em 2020, mas nenhuma providência foi tomada. A tragédia é mais um alerta para o atual panorama climatológico.
É consenso entre cientistas que o mundo vive uma fase de fenômenos climáticos extremos. Com secas intensas e temporais devastadores, o Brasil entra definitivamente no mapa dos efeitos da mudança climática. E as cidades precisam se ajustar a essa nova situação.
Mais do que nunca, planejamento urbano é essencial. A ocupação desordenada de encostas é um risco enorme para famílias que se instalam nesses locais. Ocorre que cidades inteiras foram erguidas nessas condições, em áreas baixas próximas a morros cuja vegetação natural foi removida há tempos. Foi o que que ocorreu em quase todos as cidades paulistas afetadas com deslizamentos, alagamento, desabamento de casas e quedas de árvores.
De imediato, é preciso socorrer as vítimas, intensificar as buscas por sobreviventes e somar esforços de reconstrução. Mas também é fundamental uma atitude preventiva. As cidades não podem ser pegas de surpresa. É preciso desenvolver modelos de previsão climática que levem em consideração as mudanças atuais. O sistema de monitoramento do Estado de São Paulo, o mais rico do País, não foi capaz de prever o volume pluviométrico que atingiria o litoral, nem suas consequências. As próprias autoridades paulistas admitem que houve falha nesse aspecto e que atualizações são necessárias.
Se esse volume descomunal de chuvas atingisse a cidade de Manaus, quais seriam as consequências? A cidade estaria preparada? O período de chuvas permanece, inclusive no Amazonas. A prevenção deve acontecer agora, com mapeamento de áreas de risco e retirada de famílias em perigo. Prevenir é sempre o melhor caminho.