Problemas no setor elétrico
O setor energético, que é estratégico para qualquer país, não pode ser objeto de populismo eleitoreiro
O governo federal planeja ampliar a isenção da tarifa de energia elétrica para mais 60 milhões de pessoas, no que parece ser mais um esforço na tentativa de melhorar a imagem do Executivo em ano pré-eleitoral. É claro que a iniciativa promoverá justiça tarifária na medida em que vai favorecer famílias de baixa renda, proporcionando um pouco mais de fôlego nas finanças domésticas. O foco seriam comunidades indígenas e quilombolas, além de parte das pessoas inscritas no CadÚnico, idosos que recebem Benefício de Prestação Continuada (BPC), entre outros.
Mas o setor energético, que é estratégico para qualquer país, não pode ser objeto de populismo eleitoreiro. Há muitos gargalos que devem ser enfrentados com seriedade. Um deles é a falta de confiabilidade na distribuição. Os recentes apagões que deixaram partes do Amazonas e também do Pará no escuro mostram que é preciso fazer melhorias. Outro aspecto é a própria geração energética, com projetos de construção de usinas hidrelétricas em um bioma sensível como a Amazônia emperrados por uma série de polêmicas sócioambientais.
Vale ressaltar que, na Amazônia, boa parte das populações ribeirinhas e indígenas ainda não tem acesso a energia elétrica, o que é um gigantesco obstáculo para o desenvolvimento econômico e social das comunidades. O Brasil ainda carece de um programa sério e amplo para levar energia a essas pessoas que hoje se encontram excluídas e que são praticamente invisíveis para o poder público.
O aproveitamento do enorme potencial da energia solar também engatinha na região. Isso sem falar nos efeitos das mudanças climáticas, que têm causado estiagens severas, reduzindo o volume de água nos rios e comprometendo a geração nas hidrelétricas.
Está claro que não há interesse em atacar os gargalos do setor elétrico pensando em ampliar com confiabilidade tanto a geração quanto a distribuição, empregando tecnologias modernas que barateariam o custo final ao consumidor. Nesse cenário, não seria preciso isentar ninguém, a energia seria barata, confiável e abundante.
Enquanto o setor não receber a atenção que merece e for alvo de medidas meramente populistas, o País continuará com sérios problemas energéticos.