Produção de alimentos e a fome
O Brasil já desempenha papel de destaque na segurança alimentar do mundo, sendo o segundo maior exportador de alimentos do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. O salto de produção vem ocorrendo nos últimos vinte anos, quando a participação do País no mercado global saltou de US$ 20,6 bilhões para US$ 100 bilhões. Segundo projeções da Embrapa a continuar nesse ritmo, o Brasil deve assumir a liderança nas exportações de alimentos em cinco anos. E isso levanta algumas questões centrais que não podem ser ignoradas. Não é razoável que o “celeiro do mundo” tenha uma parcela significativa de sua própria população passando fome.
Essa é a realidade no Brasil hoje. Nos últimos cinco anos, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave aumentou em aproximadamente 3 milhões. Ao todo, são mais de 10 milhões de pessoas sem o suficiente para se alimentar adequadamente, segundo dados do IBGE. Isso é quase as populações dos Estados de Amazonas e Pará somadas, um cenário trágico que tende a se agravar ainda mais em decorrência dos efeitos da pandemia, que tem atingido fortemente o mercado de trabalho e a renda dos brasileiros.
O governo federal, Estados e municípios precisam se atentar para a gravidade desse problema e desenvolver programas para combater essa triste realidade. Uma alternativa óbvia seria envolver os grandes produtores agrícolas em um programa nacional contra a fome. Se cada grande exportador destinar uma ínfima parte de sua produção para o programa, já seria suficiente para garantir alimentos para todos os que sofrem com a fome. Mas isso exigiria ação nacional coordenada e se torna quase uma utopia diante do fato de que o País não consegue unidade de ação nem mesmo para combater a maior crise sanitária do século.
Outra questão que emerge a partir dos números da produção e exportação de alimentos é o aspecto ambiental. Com o aumento da produção, cresce também a responsabilidade do País com o meio ambiente. É preciso cuidar para que a agropecuária cresça sem invadir florestas, sem causar desmatamento, principalmente na Amazônia. O País precisa trabalhar duro para mudar a percepção internacional de que somos um País desmatador. E a melhor forma de fazer isso é combatendo o desmatamento de maneira eficaz.