Programa Brasil atrapalhado
A reestruturação do governo federal está em curso com mudanças de ministros (foram oito substituições até agora) e de diretores de instâncias do primeiro nível dos órgãos da administração pública. Em meio as mudanças e negociações feitas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, aparece o Plano Brasil enquanto ideia mais geral para enfrentar os problemas pós-pandemia.
O que preocupa é a explicita falta de coordenação do governo na concretização do plano. Apresentado em entrevista de vários ministros, o Pro-Brasil não tem substância e não se relaciona com o conjunto das áreas governamentais. É como se se tratasse de uma fala sobre algo que está na cabeça de alguns e sem versão escrita e discutida pelo núcleo do governo.
Se o Brasil pós-pandemia exigirá um bom plano de ação para enfrentar a crise econômica agravada, e, de fato, irá necessitar, o que ora é apresentado ao País é preocupante. Não apenas pela controvérsia que cerca o primeiro discurso do programa governamental, mas pela tentativa de empurrar à sociedade um pacote que apresentado como novo quando envolve iniciativas algumas das quais com carimbo de obras concluídas há dois anos.
Há um problema sério na formulação da proposta do governo e inúmeras perguntas, até agora sem respostas, sobre como realizá-la. Mesmo que membros da equipe de governo sejam substituídos na perspectiva de atender apelos partidários, distribuir cargos e garantir a aprovação de medidas ou impedir investigações, a questão não se resolverá.
O que compete a um presidente é liderar. Não consegue, complica-se cada dia mais. Uma série de iniciativas, com começo, meio e fim, na direção daquilo que o País precisa, mais emprego, mais renda e melhoria salarial dos trabalhadores, redução do índice de trabalhadores informais por imposição e equilíbrio nas contas públicas.
A inteligência nacional pode contribuir para uma saída menos danosa ao Brasil dessa crise e tem competência de fazer isso de forma criativa e participativa. O impasse é a confusão criada diariamente pelo governo, o estilo de governança imposto que fragiliza o próprio governo e desperdiça boas iniciativas. A retomada do Brasil ao trabalho não deveria seguir esse rumo, desnorteado, e sim como resultado de um planejamento efetivo capaz de conversar com todos os setores e instituições do município ao Estado como define a condição federativa deste País.
Foto: Caroline Antunes