Protagonismo feminino
A disparidade na participação de homens e mulheres em postos de liderança no Brasil reflete bem o quanto o País ainda precisa avançar rumo ao equilíbrio de oportunidades no que diz respeito às diferenças de gênero. No ano passado, por exemplo, apenas 18% das empresas do Brasil tinham mulheres como presidentes, segundo dados da pesquisa “Panorama Mulher 2018”, feita pela empresa de recrutamento Talenses. A média geral é ainda pior, com 15% de mulheres na presidência.
No Ministério Público não é diferente, como mostra o estudo “Cenários de Gênero”, realizado pela Comissão de Planejamento Estratégico do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Os dados revelam que, apesar dos avanços na participação feminina no conjunto de promotores e procuradores de Justiça, ainda há evidente desequilíbrio quando o assunto se refere a cargos de chefia. Em 2017, o MP era composto por 40% de mulheres e 60% de homens. Porém, desde a promulgação da Constituição Federal 1988 – há mais de 30 anos -, apenas 52 mulheres comandaram as procuradorias-gerais nos Estados, enquanto os homens dominaram com 240.
O retrato das diferenças de gênero no Ministério Público mostra um cenário que precisa evoluir, mas que já se apresenta menos grave que o panorama em outros setores. Na iniciativa privada, por exemplo, a situação é muito pior. Não é algo fácil de se desconstruir. A caminhada rumo ao equilíbrio está apenas começando, ainda que passos importantes já tenham sido dados. Movimentos concretos em direção à equiparação entre homens e mulheres nos papéis de liderança são relativamente recentes, ocorreram com maior relevância só a partir das décadas finais do século XX. No Brasil, foram intensificados na primeira década do novo século mas, atualmente, enfrenta a resistência da onda conservadora, que empurra as mulheres para seus papéis tradicionais de “rainhas do lar”.
Nas palavras da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, ainda precisamos de igualdade de oportunidades, ou seja, o reconhecimento de que se deve tratar homens e mulheres com o mesmo respeito, com a convicção de que um não é melhor ou pior que o outro por sem homem ou mulher. É preciso, sim, o desenvolvimento de políticas públicas sérias nessa direção.