Manaus seg, 19 out
A Crítica
Opinião

Prudência e empatia em falta

Publicado em 25/07/2020 às 12h45 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h10
Prudência e empatia em falta

A população de Manaus respira aliviada com a queda no número de óbitos por covid-19, avançam as etapas da reabertura das atividades não essenciais e a rotina dos manauaras começa a se inserir em uma relativa normalidade. Mas basta uma olhada nos dados divulgados diariamente pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) para constatar que o perigo ainda não acabou. Nos últimos 14 dias, mais de 11 mil pessoas no Estado tiveram diagnóstico de covid-19 e estão sendo acompanhadas, em isolamento domiciliar ou internadas.

A dinâmica do vírus sars cov-2 ainda está sendo desvendada e o risco de uma nova onda de infecções pelo novo coronavírus não pode ser descartada. Por essas e outras razões, são motivo de preocupação as enormes aglomerações vistas nas últimas semanas na Ponta Negra e no Centro de Manaus. As pessoas parecem ter se acostumado com o risco, a ponto de ignorá-lo. A prevenção continua na ordem do dia, tanto que as autoridades locais continuam tomando medidas preventivas.

O governo do Estado atendeu a recomendação da Defensoria Pública e publicou, no último dia 20, decreto estabelecendo horários escalonados para abertura e fechamento de lojas no centro da cidade. O objetivo é reduzir aglomerações nas ruas e também nos terminais de ônibus em meio à pandemia, que ainda não passou. Da mesma forma, o uso de máscaras em via pública na capital foi tornado obrigatório pelo poder público, como forma de prevenir o contágio. No caso desta última medida, não se sabe se a determinação será seguida pela população, já que as medidas

Mesmo no pico de contágio e de óbitos, que aconteceu em abril na capital, a resistência a medidas como uso de máscaras e distanciamento social foi forte por parte de muitos, entre negacionistas, conspiracionistas e irresponsáveis. É de se imaginar que agora, com o número de óbitos em declínio e a sensação de aparente segurança, essa resistência seja ainda maior.

É triste constatar que a pandemia expõe o que há de pior em nós, a indiferença em relação ao outro. “Se fiquei bem até agora, vou continuar bem. Os outros não importam”. Pensamentos assim devem ser muito comuns nas cabeças de quem não se importa em frequentar a Ponta Negra ou as lojas do Centro absurdamente lotadas.

Foto: Euzivaldo Queiroz