Que a solidariedade se faça real
Os centros comerciais lotados contrastam com o expressivo númeor de famílias em situação de miséria na cidade de Manaus. Para esse contingente de famintos as festas de final de ano podem ser aquele momento de desolação entre a imagem da ceia natalina que circula nas redes sociais e nas peças publicitárias e o estômago vazio por falta absoluta de acesso a alimentos.
Existe um fio esticado que poderá, em situações drásticas como a que hoje se revela, significar mudança de postura. Numa iniciativa os próprios governos demonstrarem vontade pública em assegurar ações de atenção a essas pessoas, garantir que os alimentos as alcancem ou que auxílios emergenciais propiciem a elas enfrentar o quadro de dificuldade. Noutra, a sociedade revelar que se importa com essas famílias e se mobilizar para construir uma corrente de apoio.
São gestos que necessitam ser cultivados e poderão, de fato, fazer a diferença, na vida de milhares de necessitados. O Brasil em geral e o Amazonas em particular experimentam a condição de pauperização que havia sido enfrentada há alguns anos e conseguido reduzir sensivelmente o número de famintos e miseráveis. A falta de atenção na condução da política econômica e o desmantelamento e programas que constituíram a base de apoio a esse setor da população, juntos, geraram o quadro ideal para a miséria abrir passagem e se tornar realidade mais uma vez.
O que estava ruim agravou com a pandemia da Covid-19 e a forma de enfrentá-la adotada pelo governo federal tornou o Brasil um dos países com maior impacto de infectados e de mortos, lentidão na adoção do programa de vacinação e na definição de um programa de auxílio aos setores com atividades mais impactadas. O governo não quis ou não soube como se comportar diante do desafio, optou por posicionamento de confronto, desperdiçou energia em promover conflitos internos e externos e adotou negacionismo enquanto o país aprofundava a desiguldade e a informalidade.
O centário de final de ano traz à cena o resultado disso. Os que foram empurrados ao abismo e tentam sobreviver e uns poucos donos isolados da maior riqueza. Se eventos da humanidade, como a celebração do Natal e de um novo ano, servem para abrigar o desejo de algo novo que se faça na solidariedade aos mais vulneráveis.