Que venham as respostas de correção
As denúncias envolvendo médicos e pacientes nas maternidades públicas de Manaus demonstram a necessidade de, urgentemente, reforçar os instrumentos de fiscalização nesses espaços a fim de que o tema saia do âmbito ainda particular para ser tratado na esfera pública com a atenção que merece. O quadro é grave e tende a ser ainda pior na medida em que as vítimas tenham coragem de denunciar e de se reconhecerem como vítimas da violência obstétrica.
O assunto há pelo menos cinco anos já era discutido por estudantes de Enfermagem e de Medicina nos espaços de formação profissional. Os movimentos sociais, principalmente o de mulheres, tem buscado chamar atenção para essa conduta profissional há mais tempo e reivindica uma posição dos governos e dos órgãos de representação dos profissionais que atuam nas maternidades tanto para a punição destes quando comprovados os atos de violência como no acompanhamento do processo de formação.
Os registros de casos de violência nas maternidades públicas de Manaus expõem uma situação que mancha a rotina dessas maternidades e atinge, no geral, todos os profissionais que, na generalização, serão contaminados pela má conduta de alguns. E mais, se constitui de fato em violência que se não coibida se tornará postura consentida pelas autoridades e instituições de formação profissional e aquelas que abrigam as categorias profissionais.
Diante do histórico de lentidão nas respostas sobre esse tema, o está em observação é a disposição dos dirigentes em enfrentar, de frente, essa situação grave e oferecer resultados que demonstrem o interesse em supera-la. A qualidade de atendimento à mulher grávida é um dos indicadores de importância na qualificação da vida numa cidade, do padrão de saúde e de desenvolvimento humano. É matéria que engloba um dos objetivos do milênio e em torno da qual organismos internacionais atuam para sensibilizar quanto aos cuidados e o direito à vida de grávidas, mães e feto e recém-nascidos. Isso significa que o corpo de profissionais da saúde que atuam com essa clientela deve ser preparado para garantir atendimento respeito, digno e uma acolhida decente. Em Manaus, práticas que deveriam ter sido superadas permanecem e provocam sofrimento, revolta e perdas. E isso é tornado público por uma janela pequena, a daquelas mulheres ou parentes delas que superam o medo e fazem a denúncia.