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A Crítica
Opinião

Quem mandou matar Marielle e Anderson e a face da Justiça

Na quarta-feira (25), o julgamento feito pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu as penas dos cinco réus acusados de planejar a morte da vereadora e do motorista

Publicado em 26/02/2026 às 08h48
Quem mandou matar Marielle e Anderson e a face da Justiça
Foto: Divulgação

Há oito anos, a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados no Rio de Janeiro. Desde então, uma mobilização nacional e de interesse internacional, com forte participação das mulheres, ocupou ruas e outros espaços públicos com uma pergunta: quem mandou matar Marielle e Anderson?

A pergunta passou a ser feita em muitos ambientes e enfrentou a fúria de segmentos que pretendiam se esse mais um caso a ser esticado e sem respostas efetivas. Na quarta-feira (25), o julgamento feito pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu as penas dos cinco réus acusados de planejar a morte da vereadora e do motorista, e da tentativa de homicídio da assessora da vereadora, Fernanda Chaves. As penas variam de nove a 76 anos de reclusão.

Os irmãos Brazão receberam a pena de 76 anos e três meses. São eles, o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão e o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, condenados pelos crimes de organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado. Ronald Paulo Alves foi condenado por dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado.

Robson Fonseca foi condenado por integrar organização criminosa armada. O major da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, a 56 anos por duplo homicídio e homicídio tentado. E o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos Brazão, a nove anos de prisão por participação em organização criminosa. A Primeira turma do STF estabeleceu indenização no valor de R$ 7 milhões para reparação de danos morais causados às famílias das vítimas.

O assassinato de Marielle e Anderson mostra uma face da história política do Brasil até então recorrente. A tentativa de naturalizar tais condutas parecia ser um caminho no país. A partir do processo, do julgamento e da sentença neste caso, é possível estabelecer outro parâmetro que deverá ter impactos em casos até então abrandados por uma justiça parcial. Parte de uma superestrutura que acoberta crimes e criminosos foi revelada e deixa fios da história expostos, prontos para serem seguidos até a raiz.

Para as famílias das vítimas a espera longa tanto quanto a luta travada o julgamento e as condenações representam uma resposta da justiça que abranda em parte o sofrimento, a angústia, as pressões sofridas ao enfrentar estrutura e pessoas detentoras de poder. A decisão do STF ajuda na tarefa longa de reabilitar a confiança da sociedade na Justiça.