Racismo no futebol
Em lágrimas, o jogador Vinícius Jr. falou a respeito - ele que tem sido alvo frequente de situações do tipo
O racismo é uma triste constante em praticamente todos os aspectos da vida em sociedade. No esporte não é diferente e tem sido um tema de destaque no futebol, onde são, infelizmente, comuns manifestações preconceituosas oriundas da torcida contra jogadores negros. Em lágrimas, o jogador Vinícius Jr. falou a respeito – ele que tem sido alvo frequente de situações do tipo.
O jogador recebeu muitas manifestações de apoio, mas também houve falas absurdas, que escancaram a gravidade da situação, como a do ex-goleiro paraguaio Chilavert, que vociferou não apenas racismo, mas também homofobia e misoginia, ao declarar que “futebol é para homens”, entre outras piores. Uma opinião compartilhada por muitos. Na visão distorcida de Chilavert, racismo é normal e deve ser encarado com naturalidade. É exatamente o que não podemos aceitar. Não se pode banalizar a prática de classificar as pessoas como melhores ou piores a partir da cor da pele ou qualquer atributo físico.
É verdade que houve evolução significativa desde o último século. Não custa lembrar que em 1924, o Vasco da Gama publicou a famosa “resposta histórica”, recusando-se a jogar o Campeonato Carioca sem seus jogadores negros, uma exigência dos cartolas da época. Foi a primeira equipe de futebol do Brasil a abrir as portas para atletas negros. Se Chilavert estivesse lá, poderia dizer que “futebol é para brancos”. É claro que houve efusivos protestos e manifestações racistas contra a equipe cruz-maltina. A luta contra o racismo deve ser permanente.
O esporte é apenas uma das frentes de combate. As autoridades precisam agir de maneira mais enérgica. Os gritos racistas vão perdurar enquanto não houver punições adequadas. Torcedores preconceituosos devem ser identificados e afastados dos estádios. Se a manifestação é coletiva, que toda a torcida seja afastada. A impunidade não pode prevalecer.
Ontem, o jogo entre Brasil e Espanha foi marcado por um ato contra o racismo, quando os atletas brasileiros entraram em campo com camisas pretas. Durante a partida, como se viu, a Seleção Brasileira empatou com a Espanha com três gols, dois de jogadores negros.