Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Reconhecimento da força evangélica

É o segundo maior grupo religioso do País, atrás apenas dos católicos, que são 56% da população.

Publicado em 24/12/2025 às 09h03
Reconhecimento da força evangélica
Foto: Agência Brasil

O reconhecimento da cultura gospel como manifestação cultural nacional é condizente com a força dos evangélicos na sociedade brasileira. O decreto assinado ontem pelo presidente Lula assegura que a cultura gospel receba o mesmo tratamento de outras tradições brasileiras. O decreto também não deixa de ser um aceno aos evangélicos, que já representam quase 27% da população do Brasil, segundo os dados oficiais do Censo 2022, divulgados pelo IBGE neste ano. É o segundo maior grupo religioso do País, atrás apenas dos católicos, que são 56% da população. Em ano pré-eleitoral, ignorar a força dos eleitores evangélicos seria gritante demonstração de inépcia política. Vale lembrar que a Frente Parlamentar Evangélica conta com mais de 200 deputados federais atualmente.

Não à toa, o decreto presidencial vem no rastro de pesquisas que apontam crescimento da desaprovação do governo junto a pessoas que se reconhecem como evangélicas.

A despeito de possíveis motivações eleitorais, o decreto presidencial reconhece que a cultura gospel é muito rica e merece políticas públicas específicas. O texto cria diretrizes para a valorização da música e outros elementos da cultura gospel no país. A música gospel, por exemplo, é um dos gêneros mais consumidos, respondendo por, aproximadamente, 20% do mercado nacional. O gênero transcendeu as igrejas e hoje é consumido nos mais diversos meios por um público diversificado, independentemente da religião.

Além disso, há um relevante papel social desenvolvido pelas igrejas de modo geral, e pelas denominações evangélicas em particular. Elas atuam, frequentemente, em áreas periféricas e vulneráveis, onde o Estado tem dificuldades para estar presente, oferecendo redes de solidariedade focadas no combate à fome, na geração de renda, na oferta de serviços como creches e programas de recuperação de dependentes químicos, entre outras formas de atuação.

O Estado, de fato, permanece – e deve mesmo permanecer – laico. No entanto, não pode ser cego às manifestações religiosas do povo, que devem ser tratadas de maneira igualitária e respeitosa, promovendo a harmonia e o diálogo inter-religioso.