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A Crítica
Opinião

Recuperação lenta e incerta

Publicado em 02/07/2021 às 11h26 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h39
Recuperação lenta e incerta

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério da Economia revelam o cenário que já se previa: baixo desempenho nas contratações com carteira assinada em setores-chave do Amazonas, a despeito do resultado geral positivo em nível nacional. No mês de maio, houve um saldo positivo de 3,8 mil postos de trabalho; porém, uma olhada mais atenta aos números mostra que quase todos os setores apresentaram variação relativa inferior a 1 ponto percentual. As exceções foram o comércio e a construção, que avançaram 1,1% e 1%, respectivamente. Apesar de minguados, os números do Caged não deixam de ser um alento, na medida em que qualquer crescimento no número de contratações é melhor que nenhum crescimento ou retrocesso.

Na indústria, setor fundamental para o Estado em virtude do peso que a Zona Franca de Manaus exerce sobre o PIB amazonense, as admissões superaram as demissões em 678 postos de trabalho, o que mostra ainda uma tímida disposição para contratar. Diante do cenário de pandemia que causou sérias restrições na atividade econômica desde o ano passado, o lento ritmo de crescimento nas contratações é plenamente compreensível. Com os sinais de enfraquecimento da pandemia e gradual reabertura das atividades econômicas, podemos esperar um ritmo mais acelerado de contratações a partir de junho, mas esse movimento de recuperação depende de uma série de fatores que não inspiram otimismo.

Infelizmente, o País nem saiu da crise sanitária e já convive com os efeitos das crises econômica, hídrica e política. Esses três fatores combinados lançam uma nuvem de incertezas no horizonte próximo e já atuam como freios no ímpeto de recuperação da classe empresarial. A intensidade de suas consequências para o País ainda é completamente imprevisível. Nessas circunstâncias, alocar investimentos e contratar mão e obra reveste-se de um risco que muitos preferem não correr.

Pior para quem ainda está desempregado. Dados do IBGE mostram que o desemprego no País se aproxima da marca inédita de 15%. O governo tenta usar o índice positivo do Caged – que considera apenas os empregos com carteira assinada – para mascarar o fato de que o desemprego avança como nunca, o que exige a imediata adoção de políticas públicas eficazes.